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A máquina infernal
A máquina infernal

Após um período de quase dois anos a casa da velha Sebastiana foi deixada para trás e trocada por um apartamento em um prédio antigo e desgastado, porém espaçoso e com a vantagem de ser bem na entrada da Universidade de São Paulo. Um prédio de apenas 5   andares e 9 apartamentos..  A proximidade da escola ajudava muito, pois podia se usar como transporte apenas o ônibus circular gratuito mantido pela USP e simplesmente chamado circular. O ponto inicial do circular era na esquina do prédio. Isto dava sempre o ensejo de molengar no horário para ir as aulas direito exercido quase diariamente por Dendinho.

Havia entretanto uma particularidade inexplicavel. Dendinho não admitia que dormia até mais tarde e em qualquer ocasião insistia em dizer que acordara e se levantara a hora que levantara porque quisera. Xingando e brigando com quem o contestasse. Já ouvira falar desse tipo de comportamento, um transtorno que acaba incomodando mesmo quem não liga para tanto.

Não se podia dele dizer que ficara dormindo, mormente para a namorada. Ficara adormecido no máximo, mas já levantara. Contraria-lo podia prejudicar a saúde. E assim tudo ia andando.  Dendinho esperneava e vociferava em altos brados, mormente se a namorada recebesse a informação de que perdera a hora para o sono. A namorada soltava sonoras broncas que Dendinho engolia sem murmurar uma sílaba. Era impagável de ser discretamente visto e ouvido. Depois estouravam gargalhadas reprimidas acompanhadas por imitações dendinianas.

Numa tentativa de por fim ao espetáculo diário, Dendinho trouxe não se sabe de onde um grande despertador de corda daqueles encimados por duas campainhas, que tocava os badalos a centenas de decibéis retinindo a geringonça pelo prédio de alto a baixo. O Baca e o Garcia batizaram o relojão muito apropriadamente de “a máquina infernal do Dr. Dendari”. Assim iam seguindo as coisas, até que aconteceu um lançe fatal. Dendinho tinha uma prova que não poderia perder, pois isto significava uma DP que ficaria para o ano seguinte Agravando mais a incômoda situação omitira o fato da namorada que despreocupada não o procuraria. A prova era ás 7:30 h e Dendinho falava montes a todos que “queria ser acordado de qualquer jeito” e a sua estória já virara a versão moderna de ésopo do menino e o lobo.

Entretanto o Baca, que já fora para o pau na matéria esgotou a paciência e resolveu que chegara o momento de acabar com aquela opera bufa de Dendinho e sua máquina infernal. Assim no dia marcado levantou-se e esperou.

Tudo se passou como era esperado. O apartamento encheu de gente, vários colegas de Dendinho aguardavam na sala em silêncio. A máquina infernal tocava desesperadamente de 5 em 5 minutos enquanto Dendinho como um zumbi a adiava com um croc-croc e voltava a roncar.

Aproximando-se 10 minutos para se iniciar a prova, o grupo encheu o quarto e espalhou vários montes de jornais com querozene ao redor da cama e ateou fogo.

As labaredas subiram como rojões e Dendinho pulou da cama, os olhos saltando das órbitas e precipitou-se em uma desabalada carreira para o ponto do circular sem camisa e com sapatos na mão. Dormira de calças para não perder tempo.

No terraço eram só gargalhadas e gritos de triunfo: “Não era de qualquer jeito ?”

Dendinho nunca mais falou no assunto nem pediu para ser acordado. A máquina infernal foi lançada no latão de lixo.

 

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