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Amsterdam, zero hora
Amsterdam, zero hora

 Amsterdam, zero hora

Impossível esquecer de Amsterdam na década de 60. A bicicleta branca rodava pelas ruas circulares que ladeiam os canais a partir da praça Dam. Naquela época Amsterdã era de todas as tribos e o símbolo da sociedade alternativa comunitária era aquela bicicleta branca para representar a paz e o uso comum por u cidadão que quisesse usa-la tomando-a no seu ponto inicial e deixando-a no seu ponto final para que algum outro a usasse depois dele.

Ao cair da noite só era possível ver-se os barcos, grandes chatas ancoradas junto aos canais. Há muitas pessoas que moram em verdadeiras casas flutuantes porque não há praticamente terrenos a serem ocupados. Assim a luz das velas dá um ar romântico e aventureiro aos canais da Veneza do Norte porque a iluminação pública é desligada as 22:00 h por medida de economia. Os canais quase circulares a partir do Centro formam milhares de quarteirões, verdadeiros ilhotas ligadas por centenárias pontes de madeira ou pedra; Devido a uma complicada taxação sobre o valor da área construída desenvolveu-se típica arquitetura de casarões e sobrados altos, mas de largura estreita que formam um homogêneo casario que se aglomera ao longo das ilhotas.

O Rembrandt Coffee na praça Dam a poucos metros das escadarias do Palácio da Rainha Juliana fervilha de gente às 4 horas da tarde. Sento em uma das mesas da calçada e dou preferência ao hambúrguer com fritas, que tem 2 centímetros de altura e vem  nadando em batatas fritas. Batata é um puro desperdício aqui. Tudo tem batatas na Holanda. A moça em trajes típicos serve tudo com esmero e capricho. A garrafa de Perrier é servida sem que ninguém peça. Faz parte dos hábitos da casa. No grande salão aglomeram-se hippies e desocupados que vivem do seguro desemprego. Mo caixa pode-se comprar haxixe em qualquer quantidade. Um cartaz ao lado anuncia isto ao lado do anuncio da Igreja católica convidando a todos para conhecer o Novo Catecismo holandês dos frades dominicanos.

Estive a tarde na casa de Anne Frank. Já estive lá muita vezes tentando imaginar uma família escondendo-se naqueles cubículos apertados tentando sobreviver e uma menina rabiscando as páginas de um diário de angústias e esperanças.

Na madrugada bandos de jovens reúnem-se as margens dos canais e erguem uma pirâmide de achas de madeira para acender uma grande fogueira. O vozerio anuncia mais um happening. Será servida uma carne de cervo com queijo trazido do Alkmaar. Os queijos são grandes peças de vários quilos.

O cheiro das papoulas é forte e enfeita grandes terrinas de barro. As moças vestem vestidos brancos compridos com tulipas presas em lenços na cabeça.

Os happenings começaram a ocorrer na década de 50 e não se sabe bem sua origem. O consenso geral é que eles são feitos porque nada acontecia. Já que nada acontece "façamos alguma coisa". Façamos um happening. As autoridades, entretanto não gostam dos happenings e geralmente aparece para dispersa-los. Faz parte do happening ser dispersado e preso pela eficiente polícia holandesa.

Sentado numa ponte de pedra que foi incorporada a um quadro de Rembrandt observo a imensa multidão que vai se formando na beirada dos canais. Muitos usam os tradicionais tamancos de madeira pintados a mão do mercado de klompenmarkerij. As bonecas nas mãos de meninas e adolescentes também têm tamancos. A maioria carrega lanternas com velas.

Apesar da escuridão Amsterdam é uma cidade segura e pacata. O povo é ordeiro e cordial. Há pobres, mas não mendigos. Há desesperados, mas não bandidos. Apesar dos grandes supermercados de artigos eróticos repletos de turistas e curiosos, das damas nas vitrines,  as mulheres são tímidas e recatadas.

Famílias inteiras tomam chá à tarde em docerias e convivem pacificamente com tipos estranhos e curiosos e parece existir um respeito mútuo. Os jardins são floridos de tulipas formando enormes tapetes vermelhos e amarelos.

Bem cedo é possível ir de ônibus a Volendam quando a invasão dos turistas ainda não começou. A brisa marinha dá um ar bucólico a essa ilha de pescadores que vivem exclusivamente do mar que a Holanda dominou através de seus diques. Saborear um arenque no café e apreciar a confecção dos tamancos e a pesca artesanal.

O meu gosto pelas obras de engenharia foi atraído por uma maravilha da era moderno que são os diques e pela marca registrada do país desde a idade média que são os famosos moinhos.

Metade dos Países Baixos esta 4 m abaixo do nível do mar. É uma luta que já dura 1200 anos. Diques gigantescos e dunas lutam contra o mar para manter o território da Holanda principalmente na região do Delta onde desembocam vários rios da Europa entre eles o Reno.

O aproveitamento da energia eólea com o país pontilhado dos românticos e sedutores moinhos é outro aspecto desta luta, penso que talvez o mais conhecido. Nestas paisagens de flores e ventos saiu o gênio de Rembrandt que brilha em Amsterdam como seus preciosos diamantes. Amsterdam é uma festa permanente.

 

 

 

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