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As ruas de Saint Vincent
As ruas de Saint Vincent

THE STREETS OF SAINT VINCENT

 

A rua era arborizada e distante do borborinho urbano. As lembranças se desvaneceram. Lembro-me do terraço grande com um arco romano, o portão de madeira e o imenso terreno baldio na frente. Costumava ficar no terraço a atirar pedras no terreno. Certa vez acertei uma bela pedrada na cabeça de um jovem senhor. O homenzinho veio bater na nossa porta e queixou-se para minha mãe. A pedra atingira a sua cabeça de raspão e estava com um lenço ensanguentado na mão. Acabei levando uns tabefes da mãe.

O vendedor de bananadas vinha pontualmente cada quinzena. Um senhor idoso carregando uma sacola de lona como as que são levadas na feira. A sacola vinha cheia de bananadas embrulhadas em papel manteiga. Coisas de São Vicente aquelas vendas de porta em porta. Minha mãe costumava sempre comprar um estoque de bananadas. As bananadas vinham da conhecida Casa das Bananadas localizada próxima a Ponte Pênsil junto ao Morro dos Barbosas na Rua Newton Prado.

É uma casa muito antiga fundada em 1921 por Osnilda Blume e é dirigida pela neta Marcia com as mesmas receitas ali preparadas e servidas. Marcia mora no local. A casa das bananadas que completa este ano 90 anos é um patrimônio cultural da Região. Está no You Tube, Face Book e As Crônicas de Santos.

Morávamos próximos ao Mercado Municipal e a Praça 22 de Janeiro. Meu pai costumava levar-me aos Domingos para passear principalmente por dois motivos. Um deles era o trenzinho que circulava pelo passeio do jardim da praça. Outro era a profusão de doces a venda das barracas frente à Biquinha onde uma parada era obrigatória. Arranjados cuidadosamente os doces faziam a alegria das crianças enquanto a família ia às bicas para encher garrafões de água. Dizem que a origem dos doces é mantida em segredo até hoje.

Uma grande feira de artesanato espalha-se pela praça onde se vende de tudo e assim permanece até hoje. Havia até sapos, cobras e tartarugas como no Mercado Modelo. Havia uma barraca com artesanatos do norte e um homem com roupas características do cangaço oferecia uma infinidade de artigos de couro. Na cintura uma enorme faca presa no cinto e na cabeça o chapéu de couro no estilo do Capitão Virgulino. Comentava já ter eliminado uns quatro volantes que queriam pega-lo no sertão. Comentava com naturalidade que antes deles havia morto uns trinta.

-Esses eu não tive culpa. Foram a mando do coroné. Lá se ele mandasse matá nóis matava... Só os outros que foram de luta.

São Vicente tinha até um seminário. Ficava na praça da matriz ali pertinho frente ao Mercado. Fechou por falta de seminaristas. O centro da cidadezinha era o comercio mais movimentado da baixada. Tinha cinemas, lojas de antiguidade e até lojas de discos com vinil e tudo.

A Rua Japão que escondia seus pescadores na sua Vila e as mais belas imagens num ângulo desconhecido da Ponte Pênsil era frequentada só praticamente por vicentinos, mas conheci a Rua Japão desde menino.

Os quiosques espalhavam-se em trailers, ainda não eram de cimento e plásticos. Junto à subida da Ilha Porchat depois do tapete negro Dª Maria preparava o melhor acarajé da Baixada. Não encontrei um melhor em trinta anos, nem na Bahia.

Há outros motivos para ganhar suas ruas, como o Gaudio o restaurante mais antigo, a rua dos restaurantes, a Rua onze de Junho, o Prédio mais antigo da Baixada na subida da Ponte, a pedra do Tombo na Igreja escondida frente ao monumento do centenário e a última das três árvores que Calixto pintou ao lado do monumento de pedra. São Vicente é uma história viva.

As ruas de Saint Vincent, que um amigo assim chamava para lembrar um antigo seriado de TV chamado “The streets of San Francisco”, tinham o seu charme...

FIM

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