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Bolinhas...
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Bolinhas de papel ou de sabão? Nenhuma nem outra. Refiro-me sim as bolinhas de vidro. Bolinhas de vidro verde, vermelho ou azul. Algumas com manchas de um formato esquisito. As chamadas bolinhas de gude; qualquer empório que se prezasse tinha enormes potes de vidro repletos de bolinhas de gude de todas as cores e tamanhos. Sempre carregava um saco de pano com bolinhas nos bolsos das minhas calças curtas azul-marinho. Como todos os colegas, aliás.

Sempre havia um grupo reunido nos recreios para jogar. A escola era um amplo sobrado na Av, Ana Costa próxima ao número 300. O quintal de terra batida ao fundo era o nosso campo. O grupo fazia círculos e eram feitas casinhas na terra úmida apertando contra ela as próprias bolinhas de vidro com as solas de nossos sapatos.

O jogo era uma sucessão de gritos e algazarras de moleques. Até ter me tornado um adolescente e depois um adulto nunca consegui realmente saber como que eu jogava aquele jogo. Se é que nós realmente o jogávamos. Lembro com muita clareza de frases que nós pronunciávamos, mas não de seu significado. O inicio era decidido por quem gritava mais alto. Coisas como primeiro ou zerinho ou alguns mais calmos que pediam segundo ou terceiro.

A coisa ia por aí afora. Lembro que a uma certa altura, pois o jogo se dividia em etapas, alguns ficavam de matança. Claro ficar de matança dava ao jogador certos privilégios como poder tirar a bolinha do adversário do jogo acertando nela com a sua atirada com a mão em uma complicada operação em que o polegar fazia às vezes de gatilho. Tenho vaga recordação que quem conseguia bater em todas as bolinhas dos adversários ficava de matança embora não recorde de regras para isto.

Havia uma ordem a ser seguida ou valia tudo? A batida podia ser feita com a aproximação em várias etapas? Era permitido errar? Porque o privilegiado tinha de anunciar o célebre “tô de matança?” Havia alguma coisa que anulava a matança. Pronunciava-se a frase “em favor do galo!” e havia ainda o misterioso “em favor do galo e galo box!” Não, não sei explicar e juro que não sei dizer se soube algum dia.

Voltávamos para casa com os bolsos das calças curtas cheios de bolinhas, assobiando e contando vantagens das bolinhas adversárias que havíamos rachado ao meio com a precisão de um pião de madeira a fieira, carregando no bolso traseiro o gibi preferido e a lancheira preta pendurada a ombro.  Bolinhas  embocadas nos boxes com a penetrante vista infantil. Bolinhas coloridas como nossos sonhos. Bolinhas sujas da terra dos quintais que desapareceram sob os apartamentos e existentes agora na tela de um vídeo game.

 

 

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