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Boqueirão Posto 4
Boqueirão Posto 4

 

 

No alto do morro que dominava a ilha situava-se sua casa.

E nada que eu tenha conhecido, nem antes e nem depois fez

Com que eu tivesse me sentido, nem mais nem menos impor

tante.

(Summer’42)

 

É certa a predileção que adquiri por aquele bairro onde nasci, onde morei e onde caminhei por bastante tempo. Gosto principalmente daquela quadra que percorre a avenida da praia, a Av. Conselheiro Nébias, a Av. Epitácio Pessoa e a R. Oswaldo Cruz.

A praia possui naquele trecho a única pérgola existente na orla. A fonte parou de funcionar, mas ainda tem o espelho d'água que ajuda a refrescar o ambiente de quem senta nos bancos existentes entre as colunas da pérgola. A av é larga naquele ponto onde existiu até a década de 70 dois abrigos de espera da antiga rede de bondes localizados numa ilha central.

Descendo a Conselheiro vemos duas coisas importantes. No lado direito o quarteirão quase todo ocupado pelo Conjunto do antigo Cassino Miramar que depois de fechado foi um posto militar e ainda mais tarde o cine Caiçara, um dos maiores e mais confortáveis cinemas de Santos. Vários bares e lojas surgiram e fecharam com a entrada no passeio alto que se ergue acima do nível da calçada.

Fronte ao passeio do outro lado da avenida há um conjunto de diversas lojas e casas comerciais que se estendem desde a praia onde ficava o restaurante Cibus e terminava na antiga farmácia Boqueirão ambos desaparecidos. Também desapareceu a simpática sorveteria Grenoble de fino gosto também que ficava no meio do quarteirão. Todo este quarteirão foi um dia a Chácara Julio Conceição com sua entrada monumental pela Conselheiro na altura  do antigo Grenoble, num caminho de palmeiras imperiais, abrigando o parque Indígena e o mira-fores, tudo desaparecido ante a ganância imobiliária.

Seguindo pela Av. Epitácio Pessoa em direção a r. Oswaldo Cruz existem exclusivamente os comércios. A Farmácia Santa Therezinha era ali no meio da quadra e nós morávamos nos altos, onde está hoje o Restaurante Anhangá. Ali eu nasci e menino ainda brinquei pelos cantos na farmácia, Contaram-me, fato que achei muito engraçado, que eu costumava rolar escada abaixo entre nossa casa e o espaço térreo da farmácia.

Perto do Anhangá a livraria Antiquária muito antiga e conhecida onde sempre que vou até ali entro para olhar aquelas pilhas de livros, muito deles companheiros de minhas horas de leituras.

O quarteirão defronte no outro lado da avenida já foi quase que totalmente ocupado pelo Colégio Stela Maris, exclusivamente feminino de uniformes brancos e laços de fita amarela presos à cintura,

A Rua Oswaldo Cruz que se estende em uma grande extensão até a praia constituía um dos caminhos para o Boqueirão da praia e naquele trecho da Epitácio até a praia conserva apenas um pequeno grupo de casas reunidas num condomínio r que escaparam a especulação por não terem sozinhas terrenos aproveitáveis para grandes apartamentos.

Na Epitácio Pessoa está ainda a casa de massas Geni, uma das mais antigas do Boqueirão, bem ao lado do restaurante do Galo. Guardei sempre comigo os sabores da torta de palmito e do quindão da Geni.

Seguindo o primeiro trecho da Conselheiro Nébias encontramos o Eldorado hoje Carrefour um dos inovadores em termos de supermercado. O hábito da padaria e do famoso frango assado vem desde o estabelecimento do Eldorado que se tornou uma das referências do Boqueirão ao invés do Stela Maris. Coisas da época.

A rua Bolívar é uma rua pequena travessa da Oswaldo Cruz, a primeira após a Epitácio Pessoa. Ali passei grande parte dos anos em que estudei e de meus primeiros empregos. Tinha na época minha mãe um pequeno apartamento num dos típicos três andares de Santos, situado bem no meio da rua. Na verdade nosso condomínio era o único da rua.

A casa da Da. Esmeralda situava-se bem em frente ao nosso condomínio e muita vezes ao sair pelas grades de ferro do portão eu vi Da. Esmeralda uma velhinha simpática de cabelos brancos debruçada no portão de madeira do seu jardim a sorrir para a rua.

Era uma casa no mínimo confortável como um chinelo velho. Um dia não vi mais Da. Esmeralda e minha mãe me disse que ela havia morrido. A casa ficou fechada com aspecto de abandono.

Minha mãe cuidou de Andori e Pingorá. Eram os gatos de Esmeralda e eles, creio que reconhecendo o gesto de carinho, ganharam uma confiança ousada e entravam a vontade pelo apartamento, dormiam sobre o capacho da porta e na área de serviço na saída da cozinha.

A casa de Da. Esmeralda foi derrubada e sobre ela surgiu um enorme edifício Acho que desde este tempo passei a olhar o casario e pensar em quando chegaria a ocasião em que seriam derrubados.

A feira de artesanato na praia foi uma tradição que ficou. Inicialmente era apenas a exposição de alguns trabalhos ao lado do posto 4 onde alguns hippies expunham um trabalho artesanal vendido por alguns trocados. O local era apenas freqüentado por alguns familiarizados com a contracultura e rapazes e moças vestidos como Romeu e Julieta.

Os expositores foram chegando aos poucos e apareceu uma certa padronização e profissionalismo embora com um ar amadorístico e as ofertas culinárias aumentaram. Sinal de tempos de contenção. A feira tornou-se uma feira oficial de artesanato.

Na avenida frente à praia o casarão branco. Sempre desejei que fosse conservado e fui atendido. Hoje pode ser visto e visitado com o seu aspecto imponente de tempos antigos.

Na orla em frente ao casarão está o posto 4 que é hoje a alegria das crianças. Penso que a Gibiteca  foi sem dúvida um dos melhores espaços criados em Santos por prestigiar os quadrinhos e as crianças. Um espaço de brinquedo. Posto 4, o posto de nosso Boqueirão.

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