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Dia dos E-namorados
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Dia dos E-namorados

 

Se você quer ser minha namorada

Ai que linda namorada

Você poderia ser...

(da música de Carlos Lyra e Vinicius de Morais)

 

Quando moleque, um eufemismo para pré-adolescente ou aborrescente, o dia dos Namorados não me era tão significativo. Afinal das contas, eu era um moleque e como tal me punha no meu lugar de moleque. Moleques apenas aprontavam e não namoravam. Infortunadamente o mundo era romântico. O romantismo estava no cinema onde na cumplicidade da sala escura se chorava em Love Letters, se torcia pelo amor de Sissi e nos envolviamos pelo encantamento da voz de Paul (Anka).

Está bem. Confesso que apesar de moleque eu me sentia atraído pelo rosto oval de Romy Schneider. Ninguem tinha aqueles cabelos loiros. Aquelas revistas de contos de amor (Grande Hotel) eram contadas com fotografias de modelos italianas de cabelos escuros e crespos. Sem celular e internet, computadores, tablets e outros gadjets o sucesso e a moda eram dali ditadas para o vida.

Permanente era uma moda. Eu com toda sinceridade a via com horror. Não olhava e não gostava. Lembro que pequeno, andando pelo mão de meu pai vi uma jovem e o namorado parados naquele abrigo onde se pegava o bonde na praia. Ele não existe mais ali frente ao Atlântico Hotel. Penso que a moça daquela hora deve ter agora no mínimo setenta primaveras ou mais. Será que casou com o rapaz ? Ele parecia um tanto sem graça, incapaz de reagir ao grupo de rapazes na calçada fronteiriça e que ria as escancaras e berrava e apontava para o vestido espetacularmente curto da jovem que estava pouco abaixo do joelho. Relembrando esta passagem me veio a lembrança de uma passagem do Encontro Marcado quando ainda garôto Sabino um jovem escritor incipiente é apresentado ao velho Toledo, escritor reconhecido de crítica. Perguntando se tinha satisfação com sua vida ouve estupefato: -é uma merda ! Anos mais tarde, Sabino responde a um pinga-fogo de estudantes e responde a essa mesma pergunta do mesmo jeito: -é uma merda. Instantaneamente lembra de Toledo. Estava agora com a mesma idade de Toledo. E sente uma tristeza insuportavel. Talvez o rapaz não existisse mais e talvez a senhorinha agora frequentasse os bailes de jardim na praia apropriados ao avançar dos  anos.

Assisti com meu pai 'Um fio de esperança'. Confesso que não percebi grande coisa do filme, mas lembro do moço comentando com meu pai se ele havia gostado do filme. E você garoto? Não entendeu nada não é? Mas vai entender um dia! Aquilo é o amor! Eles vão morrer e nem se importam com isso! 

Achava Célia Maria e Vera Lucia duas meninas lindas. Os olhos azuis de uma e verdes da outra. Creio que Vera era de um gênio mais carinhosoe dedicado enquanto que Célia era mais despreendida e independente. Vera era mais atenciosa comigo e em dias de chuva vestia-me a capa o chapéu e apanhava o gorro, a mala e a lancheira.

Célia tinha aquele cabelo liserrimo sem um úniuco fio fora do lugar que crescia com um viço surpreendente. Após terminarmos o curso primário eu as vi uma única vez no Liceu. As cabeças cobertas pela irreconhecível massa encaracolada dos cachinhos da permanente. Foi um grande desapontamento anunciado...

Havia namorados, havia boêmios, havia familiares, havia pedido de namoro, mas existia tambem uma relação sem consequencia.É a amizade colorida era um namoro não assumido. Uma coisa interessante é que o namorado colocava-se no lugar de namorado, como eu como moleque me colocava em meu lugar de moleque..

Claro, os rapazes também faziam molecagens às vezes. Como daquela vez que dois amigos nossos seguiram duas meninas por algum tempo porque receberam muita bola . As duas amigas entretanto entraram num templo evangélico. E os amigos também. Assistiram ao culto enquanto as moças davam risadinhas discretas e olhavam para eles.

O problema, ou melhor a surpresa ocorreu após o sermão, quando o pastor entusiasmado convidou os dois noviços expontâneos a se aproximarem do púlpito para darem seu testemunho enquanto o público cantava canções para eles.

Acho que era comum ao despontar a liturgia progressista que os rapazes costumassem ficar próximos às moças durante a missa. Assim quando o Pai Nosso fosse iniciado poderiam dizer junto com elas com as mãos entrelaçadas.

Namorado tinha uma importância um pouco maior, na verdade uma importância real e verdadeira. Como um homem ou uma mulher que dia fariam parte daquela vida com a qual conviviam. Não havia muito sentido em relacionar - este é meu relógio, esta é munha pulseira e aquele ou aquilo é meu namorado. Ou levo os convites o notebook  e a namorada.

Creio que até ficar tinha mais propriedade. É claro que existia mas, dizia-se fulano e Beltrana estão avec. Afinal a França não era a pátria dos enamorados ?

Se não viu American Grafitti veja. O olhar preocupado e aflito de quem procura uma parceira de dança nos primeiros acordes de Smoke get in your eyes dificelmente será entendido pelos mortais comuns e estão ao alcance de uma confraria especial que só os que a ela pertencem sabem que nela entraram.

Rosa e Alice eram duas moças de longinquo tempo de menino. As duas eram marias, uma Maria Rosa, outra Maria Alice. Uma namorav a outra não. Acho que se fosse um rapazola namorava a Alice. Bonita e de bem com a vida. Rosa era mais retraída e noiva. Entretanto não procuravam por Alice. Então Alice nunca teve um namorado, nunca casou e cuidou da mãe toda vida. Rosa casou de véu e grinalda e o marido faleceu de cancer.

Baladas, que originalmente é uma varação do R & B americano-como continua a ser, personificam a sagração da solidão e do solitário como um estudio 54 com 40 anos de atrazo. Bailes, ao contrário de baladas cativavam a procura dos e(namorados). Sem o tsunami do axé eletrico e dos gritos histéricos sertanejos que trouxeram os salões de academia para os salões de dança (dança?)

Bem, com a dança trucidada, a caretice horrenda das cartas creio que não restou muito a interadir no dia de San Valentim. Nem mesmo um encontro no último andar do edifício Itália, ou no terraço do Juá.

Entretanto aqui e agora te digo que sou apenas alguem que não tenho mais estes momentos e em não os tendo, saiba que, cederia a maior parte dos que tenho para ter mais um dos que já tive. Sem falsos receios de saudades no dia dos namorados.... 

 

 

 

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