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Estes artistas de câmaras incriveis e ...
Estes artistas de câmaras incriveis e ...


ESTES ARTISTAS DE CÂMARAS INCRÍVEIS E SUAS FOTOGRAFIAS MARAVILHOSAS

 

Menino ainda, cursando a escola primária gostava de lidar e explorar a única máquina fotográfica que havia na casa. Era uma velha Kapsa tipo caixote, mas conhecia tudo sobre ela. Não sem motivo é claro. Acontece que era a única em que eu havia posto as mãos.

A máquina tirava fotos com negativos tamanho 6 x 9, 3 x 4,5 e o padrão 35 mm. Os tamanhos maiores destinavam-se a efetuar cópias, pois as fotos já eram grandes. A máquina só tinha 2 velocidades que eram a média 1/125 e a pose. O flash era um recurso caro e demandava as conhecidas lâmpadas de magnésio e, portanto muito pouco usado domesticamente.

Fotografei o mundo ao redor com a velha Kapsa e tinha uma vasta coleção de fotos de pássaros, gatos e todos os detalhes da casa da vila onde morava. Gostava de levar a máquina para a praia onde era costume fazer aquelas fotos de recordação de turistas interioranos que vem conhecer a praia. Vizinhos e amigos de infância também foram alvos implacáveis da Kapsa. Apesar da falta de recursos aquele caixote com dois visores de vidro que lembravam olhos e a lente no meio tinham jeito de uma cara simpática olhando para a pessoa fotografada.

Tenho até hoje fotos tiradas com a Kapsa que retratam momentos preciosos e queridos. Foram as fotos também que me estimularam a percorrer os caminhos da fotografia. As fotografias eram um desafio constante a minha curiosidade, pois pressentia um processo misterioso por detrás daqueles quadrinhos de centenas de tons cinzentos espalhados entre o branco e o preto, juntando-se para formar rostos conhecidos e queridos das coisas que compunham o universo exterior. Tentava imaginar como era possível extrair aquelas imagens das películas que tinha em negativos cuidadosamente guardados em envelopes. Assim procurava em livros e revistas o mistério dos acontecimentos que se desenrolavam numa câmara escura. Não encontrava nada. A resposta só chegou através da Dona Iaiá, uma senhora amiga de meu pai que tirava fotos de lambe-lambe na praia e lá mesmo as revelava dentro da câmara escura da máquina.  Perguntei a ela como as fotos eram feitas a partir daqueles vidros, que eram negativos em chapas somente usados naquelas máquinas. D. Iaiá disse que após impressionar os papéis fotográficos, os colocava numa vasilha com água na câmara escura. Uma vasilha com água e um pingo de revelador. Estava tudo esclarecido então: os papeis tinham que ser revelados tal como os filmes.

Foi a partir daí que comecei a copiar os negativos que tinha em casa. Aperfeiçoei cada vez mais a arte de copiar e álbuns de fotos domesticas passaram a ser feitos com as fotos que eu copiava. Havia, entretanto um longo caminho a percorrer ainda. Descobri que se eu quisesse ampliar as fotos que tinha necessitava de um ampliador, um equipamento ótico muito dispendioso na época. A oportunidade só se apresentou alguns anos depois. Graças a um prêmio recebido pude finalmente adquirir o meu primeiro e esperado ampliador, um Meopta alemão da loja Lutz Ferrano em São Paulo.

A despensa de casa foi transformada em câmara escura onde passei horas a experimentar a técnica da ampliação. Consegui resultados que surpreendiam quem via as fotografias. Meus interesses pelas imagens gravadas naqueles papéis passaram a fazer parte do meu dia a dia. Foi assim que aprendi a obter o melhor que a Kapsa podia oferecer.

Foi só alguns anos mais tarde, já na Universidade, quando me desfizera do Meopta pressionado pela falta de recursos para poder me manter, que entrei em contato com o pessoal dos Clubes de fotografia. Eram amadores cuja paixão comum pela produção das imagens eternizadas unia em torno do assunto. Todos tinham alguma máquina e o Clube provia um laboratório e um estúdio de onde saiam as obras que muita vezes corriam o mundo em mostras e concursos.

Meus primeiros cursos foram feitos no Clube. Lá aprendi como preparar a técnica para utilizar a criatividade. Os acontecimentos da cidade, as festas ou simplesmente o cotidiano eram o cenário onde um grupo de aficionados se encontrava e registrava o presente com uma espécie de maestria e importância. Não sem uma certa dose de risco e aventura, como subir no altar de Iemanjá a 4 m de altura em plena praia à noite ou no alto de edifícios a procura dos melhores ângulos.

Foi nessa ocasião que adquiri a minha primeira reflex. Uma Minolta japonesa eletrônica de muito boa ótica e precisão. Nosso gosto pelas formas e pela arquitetura trouxe o interesse pelos edifícios históricos cuja preservação é tão importante para a Memória Nacional. Foi assim que decidimos efetuar uma coletânea de fotografias que retratassem o patrimônio histórico  A memória de São Vicente. Primeira cidade do Brasil foi um sucesso como exposição fotográfica, mostrando ruas e recantos até então desconhecidos de grande parte da população. Muitas fotos foram acompanhadas pelo prefeito da cidade na época, ele mesmo também um fotógrafo amador.

Assim. Creio que houve uma contribuição para mostrar a importância do registro. Embora hoje não exista o ímpeto de se aproximar do trabalho de um Henri-Cartier Bresson sei que todos aqueles que um dia estiveram envolvidos por essa arte recordarão o que fizeram. Registrando um aniversário, as suas férias ou o sorriso de uma criança. Num instante de um clique.

 

 

 

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