pergola canalfotofotofototopopinacotecaorquidarioorqemissariootakeleaobolsaingacopa

Translate to English Translate to Spanish Translate to French Translate to German Google-Translate-Portuguese to Italian Translate to Russian Translate to Chinese Translate to Japanese

Rating: 2.7/5 (1772 votos)




ONLINE
2





--------------------------------

Visitantes até o momento:


II pars noctis
II pars noctis

O canto sempre fora desde a mais tenra infância a pedra filosofal de Claudius. A voz de um surpreendente barítono conquistava moças e rapazes como as hordas de Alexandre. As moças subiam a adrenalina e o queriam e os rapazes queriam ser como ele numa escasses de ídolos encolhidos nas sombras da ditadura. A praia era o cenário onde Claudius soltava a voz sonorizando orla e jardim vazios por onde o pacato grupo da  Comunidade caminhava sem destino. Claudio Marcos acompanhava Claudius no violão que carregava muita vezes. A figura séria e circunspecta, o rosto escuro e vincado emoldurado por uma calvície incipiente não lembrava um estudante de ensino colegial. Tornara-se integrante de um grupo inseparavel : Claudio Marcos, Reple e Zé Maria. Quando a mãe se queixava das noites e madrugadas viradas na rua retrucava - "mãe, sabe quem são meus amigos ? Um professor de matemática, um policial e um tenente do exército. Não ando com malandro não." Claudio Marcos se apaixonara por Nerly amiga de Nancy, mas ela já voltara os olhos para Claudius Sanctorum. O Sanchez até comentara uma vez - "Eu vi o primeiro olhar". Claudio Marcos entretanto diria mais tarde suspirando enfaticamente : "eu superei isso"

O grupo as vezes saia a andar na madrugada trocando agruras e inconfidências. Cantavam as vezes encostados nos muros do cemitério e Reple um guarda civil miserável e sem família que saira de uma instituição de menores abandonados muita vezes chorava e ria. A comunidade era sua família. Era o que tinha além de uma vaga numa pensão em uma travessa escura próxima a praia usada por turistas de um dia.

José Maria era um conhecido professor de matemática. Novo ainda o português de quase 30 anos aparentava mais uma dezena. A cintura já se perdera numa enorme barriga, denunciado o gosto pela cerveja com os jovens após as aulas noturnas. Todo o corpo era agigantado, calvície avançada e uma indumentária gasta, usada e amarrotada. Não era preciso muito para perceber que Zé idolatrava Claudius e nutria uma paixão platônica por Ana Maria a quem se referia como uma irmãzha querida. Não via portanto com bons olhos a aproximação dos rapazes a seu redor. Adotava inconscientemente a postura de um cão de guarda falando em tom ríspido e descontrolado.

Zé tinha entretanto uma namorada, portuguesa como ele. Sem  Mnenhuma ou pouquíssima influência em sua vida. Acabou casando mais tarde.

Fizemos uma visita ao Zé Maria Nesta ocasião estavam o Cláudio Marcos e alguns colegas. Parecia bem entusiasmado com a partida eminente para Araraquara onde iria lecionar na universidade. Tinha o filho recém-nascido no colo. A mulher, uma portuguesa miúda e aparentemente mais velha nada dizia. Fiquei meio surpreendido pois chamava o nenê de bacorinho. Disse que entendia melhor certas coisas agora pois passara a conviver com professores colegas e amigos que eram comunistas e estava aprendendo a aceitar diferenças. Não tornariamos mais a ver Zé Maria.

Haviam ocasiões em que o encontro se iniciava cedo. Uma ocasião, reuniram-se numa manhã o Cláudio Marcos, Claudius, Jsen, os quase universitários Luiz Gonzaga, Luiz Carlos e José Luis os "luises" e estava também Iberenice. Tinha uma certa pena se pode-se dizer isto daquela garôta de cabelos pretos e escorridos sem qualquer forma, o nariz grande. Uma pena porque era olhar e perceber o vivo e indisfarçavel interesse apaixonado por Claudius. Não existia mais nada no mundo quando o mesmo estava perto, mas ele nunca o notou. Começaram um improvisado canto gregoriano falando na estadia na casa de Iberenice que se extendeu por uma longa hora em que ela assistiu calada. Nunca fui capaz de dizer uma palavra a Claudius sobre a paixão que Iberenice lhe votava. Paixão que registrava diariamente num caderno como uma adolescente medrosa de que descobrissem seu segrêdo.

Jsen era um rapaz chinês, magro e desajeitado por escolha própria anti-social e recluso. A mãe era uma velha senhora, neurótica de guerra e o pai um velho chinês que não conseguia formular uma sentença inteira em português. A casa era junto com uma loja de bugugangas chinesas numa região de cortiços no Valongo. A Comunidade então caiu como uma luva para ele que pouquissimos amigos tinha. Sua mãe transtornada classificava-os como inimigos militares.

santorum8

A praia das pérolas, também conhecida como Malibu, deserta e pouco frequentada situa-se num ponto longinquo além de Boracéia As areias são brancas e brilhantes e dizem que em determinados locais o conteúdo é monazítico. Talvez seja uma fala verdadeira, pois é possível ver aqui e ali pontos e manchas de fosforescência a noite. As faixas de areia sucedem-se ininterruptas sem sinais de dunas ou acidentes. O mar se espraia na imensidão de areia preguiçosamente depositando conchas e estrelas do mar numa faixa mais umedecida.

O caminhão militar cor verde escura parou em frente a construção que lembrava uma pousada de um só andar, sem a menor indicação externa do destino. O grupo de rapazes e moças desceu. Não recordo se alguem tinhas as chaves ou as portas estavam abertas. Acho que o mistério parecia fazer parte dos acontecimentos A casa ou pousada não se encontrava muito limpa e nem tampouco arrumada e o lugar não tinha identificaçãao nem individualidade. Nomes externos, quadros ou  coisas deixadas para trás. Tinha mais um jeito de acampamento. Na cozinha havia água. O grupo desceu e espalhou-se pela casa As meninas acabaram por se acomodar em um único quarto com vários beliches. Havia várias sacolas e mochilas espalhadas pelo chão. Os meninos entocados em dois quartos. Claudius esparramado numa cama de um beliche e no alto Luiz Carlos . Acomodaram-se nos outros Jos-e Luis, Wanderley, Luiz Gonzaga e eu R Caio. Era um tipo de convivência muito próxima pela qual nunca havia passado.

O centro da faixa da areia mostrava uma estranha construção. A princípio sugeriram ser uma casamata, mas estava mais para um observatório ou planetário com o formato circular e o teto abobadado com janelas de vidro que acompanhavam toda a volta circular da construção. Parecia um ovni, um ufo, sem identificações externas. Atravessando a porta um chão de laje e mais absolutamente nada. Difícel atinar com a finalidade da construção perdida no meio do nada sem sinais de quaisquer ocupações frequentes ou esporádicas.

O grupo dividiu-se em vários que caminhavam pela praia sob o sol forte e rubro do dia. Muitos cantavam Outros não resistiram ao calor e atiraram-se na água transparente. Encheram sacolas de conchas destrógiras e sinistrógiras alem de diminutas estrelas do mar. Ana Maria nem maio azul marinho inteiro conversava todo tempo com Marcio numa atitude fugitiva e apreensiva. Apenas quem se mantinha a distância era a Velba e o Vanderley tios de Ana numa atitude de recato senhorial.  Tinha ouvido comentários que apesar de um pouco maduro Vanderley já fora objeto de chacotas na escola por suas defendidas aitudes puritanas. Coisas estranhas.

santorum

Era bem tarde e alguns dormiam.Nem todos. Acordei com o som de vozes e dirigi-me ao quarto contíguo. Luiz Carlos e Luiz Gonzaga conversavam e pude perceber o tom de quase desespero na voz do Luiz Carlos quando confessava a Luiz Gonzaga a paixão irreprimivel que sentia por Ana Maria. Segundo o que ele colocava com transparência já fora repelido por mais de uma vez em suas tentativas. Luiz Carlos era um rapaz de família abastada e tinha um modo de vestir um pouco afetado fruto de uma criação de filho único. Era uma boa pessoa e no momento sentia a falta de atenção de sua paixão que fora desviada para o Marcio. Surpreendidos pela chegada de Caius calaram-se sem saber o que dizer. Luiz Carlos sentia-se envergonhado de admitir o que sentia por Ana Maria. Luiz colocou que fora aconselhado a se afastar do grupo para não comprometer a sua unidade.

santorum8

Vieram devagar caminhando pela areia em direção ao obrlisco brilhantemente banhando pela luz branca da lua que se debruçava no oceano. Silenciosos e vagarosos como sombras sem nome ou fisionomia. Entraram no obelisco e espalharam-se sentados pelo chão. R.Caius junto a uma janela olhava para o mar sem entender ou atinar com algum significado. Sentados pelo grande círculo não ousavam falar e muitos curvaram a cabeça rezando em silêncio como se fossem iogas. Pouco a pouco um murmúrio indistinto como se fosse um mantra se fazia ouvir. Algumas jovens afloravam lágrimas pelas faces que limpavam com as costas das mãos.

A lua foi encoberta por uma massa de nuvens e tudo mergulhou na escuridão onde só era possivel  adivinhar muito vagamente os vultos sentados pelo chão Senti mais do que vi Ana Maria ao lado, as mãos me agarravam os ombros com força e o vento entrava pela janela jogando fios e mechas de cabelos  em meu rosto indefeso. O murmúrio  foi aumentando em altura e intensidade. Um lamento em unissono, um grito não se sabe de alegria, medo ou socorro atingiu a todos e numa catarse coletiva todos gritavam e choravam e abracei a cabeça de Ana maria que tremia como se fosse uma convulsão descontrolada num choro contínuo. Tudo durou alguns minutos que pareciam uma eternidade. Era como uma tempestade elétrica sem raios ou ribombar de sons palpavel e invasiva como aquele átimo que antecede um vagalhão gigantesco.

A lua foi pouco a pouco reaparecendo e Claudius de pé no meio do círculo falava em um tom grave que tiveramos a prova do toque de Deus que agora estava definitivamente conosco presente em nossas vidas na revelação que tiveramos. O grupo tivera um privilégio de ser tocado pelos nossos protetores do alto. Muitos riam nervosamente e rezavam.  Ana entorpecida como se tivesse perdido as forças repousava a cabeça em meu ombro quase adormecida. Sem quase perceber beijaram-se. O grupo dirigiu-se para o tal alojamento, mas acho que para esperar o amanhecer. Seria difícel para qualquer um conciliar o sono.

santorum

Quando os primeiros raios de sol tocaram a areia noturna um grupo silencioso acomodou-se num caminhão do mesmo estilo que nos trouxera. Seguiu-se um silêncio apenas quebrado na voz de Claudius que entoava canções da Jovem Guarda. Olhando o chão, atormentado pela vontade de fumar não olhava para Ana sentada a minha frente. Após algum tempo ele disse sorrindo como que adivinhando: -Agora não pode mais fumar. ;Nem tomar café. Ninguem  comentou a noite no obelisco da praia das pérolas. Goia comentou algo com Velba que vinha na cabine do caminhão. O caminhão parou após alguns quilômetros numa choupana de um caiçara. As mulheres foram ao banheiro e a viagem recomeçou. goia atirou para nós um maço de cigarros QueTal.

-Desculpem gente, é o que ele tinha, mas acho que voces fumam qualquer coisa. A volta processou-se sem muita conversa ou planos. Quem tinha mais controle e serenidade eram os "luises" e Sanchez que aparentemente não foram tocados pela benção do Espírito Santo.

*  *  *

Voltar navback

 


voce está ouvindo Tender is the night;o

topo