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O falso brilhante
O falso brilhante

Era fim de ano. Tempo de festas - melancólicas ou não. Num dos centros nevrálgicos do shopping natalino, a avenida Brigadeiro Luís Antônio, em São Paulo, estreou a 17 de dezembro de 1975 o show "Falso Brilhante". Apesar da época ingrata, a première deu o que falar. Os críticos paulistas, com vigorosa unanimidade, apontaram o espetáculo como o melhor do ano. Os 1.200 lugares do Teatro Bandeirantes, palco da celebração, passaram a ser disputados no câmbio negro pelo dobro, o triplo, do preço normal. Lotação esgotada praticamente todas as noites. Enfim, como há muito não se via, algo de apoteótico na música popular brasileira.

(Texto extraído da crítica A Transformação de Elis, publicada na revista Veja)



O FALSO BRILHANTE

(O Falso brilhante é a livre transcrição de algumas inconfidências narradas por Roldan Caio)


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A  empresa era estatal pulverizada em muitas divisões. Nosso reino era no 7º andar. Ali num retângulo de 200  x  50 m conviviam várias divisões da área por 15h  e até 20h  às vezes diaria. Ali também se dividiam e se somavam as amizades, os desafetos e as paixões. Os segredos mais bem guardados eram divididos , assim como as dores e as frustrações. Conheciamos roupas, gestos, expressões e ansiedades como uma mini-sociedade sem lares privados, como casas sem paredes e com restritos momentos de intimidade. Apenas os chefes mais graduados tinham direito a um “aquário”  privativo de onde observavam tudo e todos. A ausência de internet, correio eletrônico e computador dirigia a curiosidade do povo para a comédia da vida privada.

Quando se aproximava a ocasião das festas de final de ano as coisas se modificavam um pouco como se o espírito de Natal se matearializasse no grande salão passeando entre os biombos espalhados como paredes daquele absurdo retângulo sem janelas.

As diligentes secretárias ou “secretinas” como maldosamente muitos se referiam se desdobravam e corriam para tornar agradavel e menos árido o grande salão.

Secretárias desenvolviam um arduo e laborioso trabalho na época, mas devido a escassez de equipamentos o mesmo se multiplicava.

As paredes iam se cobrindo de enfeites, papeis coloridos, bonecos de Papai Noel, cartazes e tudo o mais. A arvore era montada no meio do grande salão ao lado de  um grande painel onde com o passar dos dias e semanas seriam fixados os cartões coloridos de boas festas e votos inúmeros de felicidades e da sonhada paz para a humanidade em nome de Jesus Cristo. Os cartões eram obras de arte.

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José Luiz definia gracejando muito bem esse painel. Era o afamado “cantinho da falsidade”. O canalha, falso e malidicente que passava todo o decorrer do ano pichando e falando mal pelas costas de outra área que detestava enviava melosos e bondosos abraços de felicidade.

Tinha conhecimento e amizade com o José Luiz. O entendimento foi recíproco desde que nos conhecemos.  Todos os colegas o tinham na conta de uma pessoa simpática, prestativa, sempre pronta a resolver e auxiliar os colegas nas dificuldades do serviço. Nunca houvera nenhuma notícia de que se indispusera ou causara problemas a seus colegas. José Luiz era

um descendente forte e típico de italianos, palmeirense, morava no Braz com os pais e era solteiro. Sua simpatia e boa conversa atraia a atenção das moças solteiras, mas ele tinha uma queda pela Carmo.

Carmo tinha que ser descoberta aos poucos , pois sob a capa de uma moça comum e bem comportada sem brilhar havia escondida uma jovem especial e dificel de ser encontrada mais de uma vez.

Ivone era uma jovem tecnica que atria sobre si a atenção dos rapazes muito embora só se importasse com o Agnaldo. Flertava porque gostava de ter atenção, mas adorava o Agnaldo.  Ivone provocava toda a atenção que Carmo não tinha.

A Ivone trabalhava na construção que era uma divisão um tanto interdisciplinar. Havia serviços administrativos, construção de túneis e dutos para cabos com obras de empreiteira.  Era uma constante o recebimento de firmas de construção civil e é claro que Ivone era uma vitrine por sua simpatia e afabilidade.

Os Walters trabalhavam na Técnica conosco. Um era o Walter Barreto e o outro o Walter Bazan. O Barreto chegava a suspiar quando o macacão amarelo de Ivone desfilava a sua frente. Lá se vai o meu canário dizia ele. Bazan era o profissional de ação. Entendia de aparelhos como ninguem.  Foi um dos montadores do museu da Companhia. O Sr. Euclides era o chefe dos dois e na  verdade chefe meu também. Um senhor de aproximadamente 50 anos que batia cartão. Não bater cartão era privilégio apenas reservado a quem tinha diploma universitário portanto uma distinção superior. O Sr. Euclides sofria de fortes úlceras sempre pioradas pelos maus bofes do gerente Lucio sempre pronto a perseguir, criticar e torturar com requintes do mais pervertido sadismo quem cismasse de escolher para Cristo, sem distinção de raça, idade, sexo ou cargo.

O Ezio era um rapaz coordenador de uma área tecnica, iniciante de Companhia com uma pose um tanto exagerada que tentava a todo momento promover seu conhecimento. Tinha um bom conhecimento tecnico, mas sua atitude não lhe granjeava simpatias. Era o super-tecnico. Notou logo o esforço de Davi em alcançar boas posições e tornaram-se próximos.

Ezio conseguiu um curso técnico de algumas semanas na Holanda onde tomaria contacto com a instalação e uso de modernos equipamentos e de uma maneira informal Davi se colocaria como a opção mais viavel para substitui-lo. Sorte para todos, pois suas exigências tornavam-se complicadas e dificeis de serem satisfeitas. Era uma época de muitas mudanças com as quais era difícel de se conviver e adaptar. Quando não era exigente Ezio tornava-se até simpático e razoável mostrando um lado culto e até intelectual. Nessas ocasiões falava sobre filmes e os últimos ducessos de Elis no seu show de estréia no Paramount-O falso brilhante.  Quando se arranha o tacho a humanidade aparece.

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Quando de chegada a Companhiia eramos enviados ao Centro de Treinamento onde passavamos por um período de integração. Lá diversas pessoas de diversos cargos passavam a se conhecer. Era um período extenso de curso e lá conheci Davi ,  um falso brilhante 1engenheiro eletrônico que se formara em Araras. Davi era extrovertido e comunicativo. Seu conhecimento técnico sólido em equipamentos eletrônicos desde o início despertou a atenção dos chefes como um bom técnico conhecedor de comutação.

Davi casara-se a pouquíssimo tempo, mas desde oo inicio revelou-se tão pilantra e malandro quanto bom engenheiro Assim não se importava de agir como solteiro e o fato de ser casado pouco contava no afã de seus interesses entre as mulheres. Davi era um conquistador de plantão. Em poucas semanas já recebia vários telefonemas de várias jovens que chamara a atenção.

A japonesinha Elza era secretária da área técnica amiga de Dayse a secretária da área administrativa. Simpática, atenciosa, mas muito ciosa das recomendações do chefe. Elza não admitia falhas e faltas e não acobertava saidas ou desrespeito aos horários de almoço. Nada era dito sob deus olhos obliquos, mas tudo era devidamente anotado e passado.

Depois do encerramento do curso resolvemos fazer um congraçamento de algumas pessoas. Houve uma festa na casa do Antônio um dos novos funcionários que morava na mesma rua do Centro de Treinamento. Vieram tambem uma engenheira, a Silvia,na época não haviam muitas,  o Carlos de Leme vizinha cidade de Araras que se tornara grande amigo de Davi. A festa alegrou a todo mundo. A bebida foi farta e faziam sucesso Jorge Mautner e Benito de Paula. Elza e Dayse lá estavam e havia um interesse indisfarçado de  Dayse por Davi.

A noite terminou sabe-se lá como com rodadas de muitas doses no Love Story com a voz já rouca de Toninho a cantar Benito de Paula.

Mantive uma estreita relação de amizade com Davi e conheci melhor a Elza. A Elza realmente criava muitos problemas no relacionamento com a equipe tornando-se a principal ajudante e apoio da chefia de Divisão o italiano Ganhito.  Depois de alguns meses Davi e sua espôsa tiveram a gentileza de convidar-me para o almoço. A espôsa muito simpático serviu um prato típico da região de Araras e que era o predileto de Davi-uma cabeça de porco assada. Eu olhava para a travessa e a cabeça na travessa olhava para mim. Lembrei de João Batista. O anfitrião Davi nada percebia, mas ainda bem que sua espôsa mais perspicaz notou e  me salvou com o comentário:-acho que ele ainda não comeu o que ele gosta ! Vou trazer outra coisa para ele...

Olhava a pilha de livros espalhada pela sala. Via o barbudinho com a expressão vincada de preocupação. Ele olhou para mim e falou então:

-Estou estudando muito, tenho que aprender muito sobre comutação e não consigo !

-Você consegue. Afinal, vocês atravessaram o mar vermelho. Vá lá e mostre ao carioca imbecil que você pode.

-Tivemos uma boa ajuda. Acho que o seu prato chegou.

A secretária da Divisão Contrução era Maria do Carmo ou simplesmente Carmo. Um pouco distanciada físicamente e pouco convivendo com as colegas por uma grande quantidade de serviços Carmo era de uma presença que passava desapercebida.  Vestida sem pre discretamente, quase sempre com uma bata ou um vestido Carmo era a secretária modelo do Engº  Jaime o chefe da construção. Podia não ser uma presença exuberante, mas tinha um riso inconfundivel. Sabámos que Carmo estava rindo.

Rogério era o gordo ruidoso e barulhento. Nunca ficou muito claro porque o funcionário que não tinha cargo algum tinha um alto e diferenciado salário. Havia uma firma ou algo assim que era de  Rogerio e um tal Sidney tambem funcionário da área. Tinha como produto uns terminais de ligação de cabos e parece que a coisa funcionava. Rogério e Sidney, jovens empresários, casados e esforçados. Sidney era sério e quieto porém Rogério era um zoador. Tinha uma queda indisfarçavel pela Ivone, mas na verdade não fazia segredo disso. Ficava entre a verdade e a brincadeira e quem quisesse que acreditasse.

O acidente ocorreu pelo começo de Dezembro , na reta do Natal. O Agnaldo era um jovem motoqueiro e bateu a moto contra uma carreta. Chegou a permanecer dois dias na UTI, mas não resistiu ao trauma craniano. Chegamos a participar do féretro num lugar chamado Franco da Rocha. Fomos junto com Carmo e assim fiquei sabendo que ela tinha um fusca azul bastante antigo e morava em São Caetano do Sul. Vinha todos os dias para São Paulo. Ao chegarmos do enterro ainda ecoavam os soluços da mãe de Agnaldo dizendo o quanto que ele gostava de ir todo dia a companhia e todos os amigos que ele tinha lá. Ocorreu-me então quanto eles eram humildes em contraste com sua namorada um tanto patricinha , mas de uma tocante sinceridade desfeita em um pranto copioso em seus braços.

A verdade é que após a perda de Agnaldo, a Ivone nunca mais foi a mesma e perdeu muio do seu brilho. Não foi mais a mesma. As vezes parecia um fantasminha de tão pálida, os cabelos com alguns fios grisalhos precoces a falar sozinha.

A primeira aproximação social que tive foi a comemoração do Sr.Pitta. Isto entretanto foi nos primórdios, no Edifício Copan Haviamos terminado o famoso curso de integração. O Sr. Pitta era um ténico de bastante idade, calculo entre 50 e 60 anos que abrira diversos processos trabalhistas de equiparação de salário na empresa e ganhara todos. Conforme ganhava comemorava. Fomos em uma grande turma no Braz, num local onde serviam pizzas e frango a passarinho. Foi nessa comemoração que fiquei conhecendo o José Luiz, um engenheiro de mesma idade e também solteiro. Davi também simpatizou com ele que na ocasião morava no Braz tambem. Fiquei sabendo que Pitta, até que terminasse o processo teria que permanecer duas horas na empresa após o expediente. Uma exigência por conta da reveindicação de horas que ele fazia em juizo. Entretanto Pitta era uma figura muito querida.

Nossa convivência na época, como mencionado era de senhores mais velhos, circunspectos técnicos quase se aposentanto como o “seo” Hansen,  o “seo” Euclides e o "seo" Nandi.. Estes técnicos como o Pitta na verdade eram verdadeiros arquivos vivos. Ali estavam as normas técnicas, os desenhos e muitos segredos de trabalho da Cia.

Nerly era uma jovem pequena e de aaspecto infantil. Uma datilógrafa que pretendiam colocar como secretária de secção, um cargo que não existia. Era uma jovem simpática que se aproximou de Carmo, uma companhia que logo dividia e escutava sonhos aspirações. As duas iam juntas a toda parte. Carmo e Nerly, uma o dobro da outra. A irmã mais velha e a caçula.

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A Companhia muda para a R Humberto I na Vila Mariana no grande salão onde passaram a trabalhar e conviver as mais diferentes secções e Divisões. Um pequeno mundo que faria facilmente a alegria de Ariadne Olivier. O quadrilátero onde tudo era notado, anotado e registrado. O Natal não seria comemorado no Copan.

As joias do som pauleira

O Márcio não gostava apenas de Rock. Gostava muito. As vezes ele viajava, de California a Woodstock. Não havia banda de pauleira que não conhecesse e logo descobrimos o gosto comum. Se a internet já estivesse no ar teríamos montado o guia das jóias do Rock Pauleira., mas é claro que mais falavamos do que fazíamos. Tudo que tinhamos era uma coleção mal gravada de k-7s muito mambembe. Conseguiramos muita coisa do Museu do Disco. O pessoal da loja o ajudava muito. Infelizmente não foi possível montar as jóias do rock pauleira. A verdade é que faltou tecnologia.

Paz e Amor para Ivone.

Rogério e  Blota quase formavam um triângulo com Ivone. Blota era um rapaz até um pouco atlético, muito brincalhão e gracejador. Dizia-se qualquer coisa, uma lenda que teria sido fb  aquele amigo de infância de Ivone e seu vizinho e coisa e tal, mas assumia sempre o papel de companheiro protetor a quem não faltava clima e convivência.  Entretanto a perda de Agnaldo esvaziou e apagou muito de seu brilho. Em qualquer lugar que se encontrasse Blota se encontrava Ivone. Entretanto acho que não se percebia porque não estavam juntos e se punham lado a lado.

Nuvem Passageira e o Triângulo das Bermudas

Ser o secreto amigo de Ivone era algo que muitos queriam, Porem mesmo que a sorte do Natal apontasse somente um felizardo que a presentearia no dia da festa de congraçamento, geralmente realizada dois dias antes do Natal, Ivone era a campeã absoluta da correspondência masculina. Seu coração entretanto estava fechado para balanço. Nuvem passageira era forte na aparência, mas escrevia com a delicadeza de uma alma antiga que houvesse saido de um casarão colonial. O Triângulo das Bermudas queria mergulhar nos mistérios dos aviões e navios desaparecidos. Nós o enganamos Zé Luiz e eu fazendo-o acreditar que recebia mensagens de uma mulher.

Ubatuba City

Um fim de semana numa casa de praia em Ubatuba.Ivone convidou Carmo que achou uma tremenda diversão. Poderiam levar o Miguel tambem. Mesmo que ele gostasse de ser um Fitipaldi nas estradas. A casa de Zé estava a disposião e seria bom para que Ivone esquecesse as preocupações. Não é que o Rogério apareceu por lá sem convite. Creio que foi ciúmes da ivone. Assim parece, pois Rogério não a deixou um momento. Acho que ele atrapalhou alguma coisa pois monopolizou a dupla das musas Ivone e Carmo.

°  O Falso Brilhante e um pintor de quadros

A Nerly que soprou sobre o pintor. Diziam que era um pintor, um artista plástico e que toda semana visitava a Construção mesmo sem precisar ou pretextando trabalho, apenas para ver Maria do Carmo pessoalmente. O pintor conquistara o coração de Carmo e ninguem podia dizer quem era ele. A Nerly dizia que era real e que um dia eles ficariam juntos. O pintor costumava deixar pequenos bilhetes no parabrisas do fusca azul Não sei realmente se essa lenda tinha fundamento ou tinha verdade. Sei entretanto que o olhar era melancólico e abandonado por vezes na distância. Algo deixara alguma marca em sua vida. Alguma coisa que Carmo ainda não buscara ainda. Ou será que o pintor certo ainda não havia surgido.

Ouvi que a convidavam para ver o Falso Brilhante. Será que que ela iria ? Eu quiz ver o falso brilhante desde que Elis estreou, mas ninguem me convidou. Juro que vou adorar ir. Quero saber quem vai me levar.

Um lugar tranquilo no campo

O Darci era um sujeito antigo de companhia. Passava-se entretanto algumas coisas com ele que absolutamente não gostava. Aquela impressão de algo fora do lugar ou de frases mal pronunciadas que não me soavam bem. Uma coisa que não soava bem, muitos falavam a bôca pequena em agiotagem era o crédito de quantias a serem pagas mensalmente no salário dos colegas. Algo perfeitamente legal porque só faz quem quer, precisa e quer. Entretanto ter uma renda emprestando dinheiro a juros a colegas de trabalho exige uma determinação e uma transparência das dificuldades e complicações alheias.

Outra coisa era aquele churrasco misterioso. Um custo alto por algo pouco apetecente e mal acomodado. Talvez toda aquela convivência de amigos relevasse, mas a verdade é que visto somente uma vez não deixava dúvidas-o que mais faltava no encontro era o proprio churrasco. Muitos pensavam assim também , mas evitavam comentar algo que era feito faz tempo.

O lugar um longinquo clube de campo na periferia de São Paulo só tinha acesso por carro. falso brilhante 2Estava junto com Davi e o chinês Sun Ming. Voltei daquele churrasco com Carmo. Ela entregou a direção do fusquinha azul a Luiz  Manoel. Manoel era um garoto que só parecia estar a vontade quando ria de alguma coisa ou dizia umafalso brilhante 5 avalanche de bobagens sem um sentido. O garôto era um moleque despretencioso das coisas e das pessoasa e não parecia ter uma atenção ou vestígio algum de bom falso brilhante 4mocismo com Carmo. Sempre fazendo ou representando o que passava. Apenas um moleque de cabelos escovinha e sorriso malicioso. Comentava-se a bôca pequena que a irmã não era de se comportar e não o suportava.

 titfbO teatro Paramount foi pouco para o brilho de tantas estrelas. As estrelas não estavam no palco onde Elis estrelava o Falso Brilhante de uma beleza e de um figurino rico e encantado onde extasiava a plateia exorcisando seus fantasmas como nossos pais e colocando toda sua angustia num torturante band-aid. Digo isto para dizer do que nos emocionava no clima que nos envolvia sozinhos na platéia de um e e aprovaçãonvolvimento mágico de mãos entrelaçadas com Carmo e no abraço insinuante e quase obrigatório. Todo o mundo se transformara num falso brilhante e no beijo verdadeiro. Sempre existiram falsos brilhantes e eles se espalharão pelo céu verdadeiro. Estrelas no céu da bôca. A Carmo apaixonada pelo pintor, a Carmo que zelava pelo chefe assoberbado, a Carmo que adorava o mar, a Carmo que queria salvar Manoel, a Carmo amiga, de repente todas as Carmos se fundiram numa só e num falso brilhante e num único palco.

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TIT10MOINHOSUma ampla casa na Av.Bologna. O motivo do encontro foi festejar a volta de Ézio após a estadia na Holanda. Recebidos com todas as minúcias e brica-braques como era sempre a postura daquele. Nunca deixava de transparecer a mensagem de vencedor. Não que prejudicasse ou desfizesse alguem, mas com certeza não usaria as sandálias da humildade.

Fomos brindados com uma projeção de inúmeros slides em que mostrava fartamente as terras holandesas e também com bastante detalhes a estrutura e fundação dos diques uma das maravilhas modernas. O aproveitamento dos moinhos, um assunto pouco conhecido, pois a crise de energia não havia dado seu alerta figurava em múltiplos e fascinantes detalhes diga-se de passagem.

Tudo visto em meio a mesinhas de acepipes, alguns até holandeses e o som suave de música instrumental . Ézio não deixara de trazer um um equipamento ingles e varias fitas que era o que ouviamos. Davi brincando trouxera uma fita com gravações de Hendrix e instigou a que a música fosse colocada para observar a reação das pessoas. Entretanto a atenção maior ficou por conta dos quebra-cabeças ingleses. Eram todos em cubos transparentes de muita engenhosidade e criatividade.

 

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No terminar aquele ano fizemos uma despedida no Roda Viva, falso brilhantefalso brilhanteuma casa tradicional de carnes siuada na rodovia não sei das quantas. O encontro teve unanimidade. Todos lá estavam. Carmo e Ivone sempre triste, o gordo falante, Sun o chinês quieto, Marcio roqueiro, Sidney o empresario dos terminais, Nuvem Passageira, Nerly, os Walters, até o Blota ninguem se furtou ao encontro. Estava também Letícia e Regina. Regina e seus cabelos grisalhos e Letícia e seu permanente sorriso quando aparelhos ortodônticos eram raros. Ela encarava tudo sorrindo. A despedida do Roda Viva foi uma verdadeira despedida. Muitos deixariam a companhia no ano seguinte. Carmo e Ivone após chorarem no estacionamento do Roda Viva posam para a última foto. Assim deixamos o Roda Viva. O ano não terminou somente, mas terminaram muitas coisas naqueles dias pesados.



O Toshio era um engenheiro não muito entrosado com os colegas da técnica, mas que havia feito alguma camaradagem com colegas no curso de treinamento. Toshio propos dividir um apartamento para diminuir despesas. Guardo dele boas lembranças e tambem seu cuidado e presteza quando não pensou duas vezes antes de me carregar ao hospital. Penso que sua presteza me livrou de um mal que atacou na calada da noite paralisando a medula. Vários dias sem reconhecimento do que acontecia até que a infecção cedesse guardaram apenas um suceder de rostos preocupados e angustiados sem saberse deixaria as sombras.

José Luiz foi um amigo solidário e realmente preocupado naqueles dias tão difíceis de obscuras perspectivas. Sempre será lembrado por muito de sua generosidade.

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Carmo anunciou com relutância que aceitaria o convite do Engº Jaime para secretara-lo no seu projeto de construção em Lagos, Nigéria. Confesso que me é dificel entender por quais razões ela iria viver uma aventura que implicaria em terminar emprego, oportunidade de estudo, cortar raízes. Será que era uma procura ? Não consegui atinar com algo que só traria sentido se fosse uma fuga. A aventura nigeriana só trazia proveito para técnicos. Bons técnicos que faziam a América.Melhor dizendo faziam a Nigéria.

Carmo era uma jovem de família humilde, uma irmã mais nova residindo num bairro pobre do ABC. O pai, um senhor sem instrução fazia serviços de pedreiro e Maria do Carmo era o arrimo da família. Entretanto o arrimo não pode dar só recursos. Tem que dar o amor e o apoio. Creio que aí estava a melhor resposta. Romper, dar um novo rumo a um estado de coisas que tendia a perdurar. Sem os raios luminosos do falso brilhante.

Carmo tinha um olhar perdido quando falamos pela última vez. As respos-braques comotas pareciam tolhidas por alguma razão inexplicavel que não chegaremos a conhecer, mas de tudo guardei a factual impressão que ela não queria despedir-se embora não pudesse ficar. Foi apenas algumas horas antes de todos os seus amigos a cercarem em sua casa para o último abraço. Estiveram com ela por toda a madrugada no dia anterior de seu vôo rumo a Africa e ao desconhecido.

Encerrado o ano, novos rumos foram tomados e seguidos Deixamos momentos ocultos e sem respostas. Creio que não podemos deixar entretanto de falar dos que nos envolveram no falso brilhante.

 


 Todos os eventos  aqui narrados assim como pessoas mencionadas são uma obra de ficção e quaisquer semelhanças com eventos e pessoas desta vida ou de outras vidas é mera coincidência. (o autor)

 

 









 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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