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O que eu aprendi sobre meus pais que quero tanto
O que eu aprendi sobre meus pais que quero tanto

 

 

O QUE EU APRENDI SOBRE MEUS PAIS QUE QUERO TANTO

 

Sou muito nova para ler e escrever, mas consigo pensar e imaginar muito. Consigo fazer deduções e raciocínios muitos errados eu sei. A experiência ensina muito e tento não repetir alguma coisa cujo resultado não é o que espero ou não é o que esperam.

         Aqueles papéis são jornais. Sei que tem muita importância para eles. Estranho porque esta importância não dura muito tempo. Com a mesma facilidade com que o trazem se desfazem deles. Assim são eles. Desfazem-se de tanta coisa. Será que vão desfazer-se de mim também ?

         Não gosto de grades. Grades na janela, grades no meu quarto. Acostumei-me ao meu quarto. Há muitos objetos estranhos nele que não sei para que servem. Meus pais vem muita vezes ao meu quarto. Na maioria das vezes estou dormindo. Meu pai vem mais durante a noite e minha mãe durante o dia. Sempre é ela a primeira a chegar, quando os primeiros raios de sol batem nas janelas. Não entendo porque ela faz tanto barulho e fica tão nervosa no meu quarto. Sempre dizendo que está tudo fora do lugar. Eu penso que está tudo arrumado.

         Hoje tomei banho. Adoro o banho, Gosto da sensação de limpeza. Tem gente que pensa que porque somos crianças ainda gostamos de sujar-nos. Não é verdade em absoluto. Como toda criança gosto de tomar banho e sentir-me cheirosa. Meus pais adoram quando me dão banho.

         Hoje papai saiu comigo, Ele me leva no colo. Sinto que estou crescendo e ficando mais pesada, mas ele não reclama. Coloco minhas mãos em seu peito como se quisesse agarra-lo com medo que ele me derrube. Sei que ele é muito cuidadoso e orgulhoso de sua menina. Olho com curiosidade o mundo a meu redor. Quantas coisas, quanto movimento. Coisas enormes movimentando-se cheias de pessoas dentro. Há também outras crianças como eu, umas maiores e outras menores. Muitas andam junto com seus pais e não no colo. Olham-me com curiosidade e ouço suas vozes e não entendo o porque.

         Um dia choveu forte e estávamos desprotegidos, sem a barraca de pano preto que ele as vezes carrega. Papai teve o maior cuidado possível para que eu não me molhasse embora ele mesmo tivesse ficado muito molhado. Minha mãe ralhou com ele ao chegarmos em casa. Não que ele tivesse culpa. Chamou-o de teimoso várias vezes. Ele entretanto estava preocupado em limpar as gotas de água do meu rosto, principalmente do nariz com muita delicadeza. Usou uma toalha branca, limpa e seca. Mamãe furiosa continuava a brigar com ele e eu sem entender nada. Crianças sofrem.

Meu primeiro brinquedo foi um ursinho. Era pequeno, muito pequeno mas eu o adorei. Brinquei tanto com ele que o rasguei. As vezes minha mãe surpreendia-me pondo  os bracinhos na boca e gritava nervosa comigo. Ela não sabe que a boca é na infância uma porta de interação com o mundo. É por isso que pomos coisas na boca e não para comer. Muitas coisas que caiam ao meu alcance colocava na boca. Acho que estava só tomando conhecimento delas.

Rasguei a camisola predileta de mamãe. Não foi maldade mamãe. Pensei que podia rasga-la que nem meu ursinho. Você e papai nunca se incomodaram com o que eu fazia com ele. Acho que até davam risadas das minhas brincadeiras de criança. Não leve a sério mamãe. É apenas um pano em que a gente se enrola para sentir calor e carinho.

Papai jogou fora seus chinelos mas eu tornei a tira-los do lixo e os guardei na minha caixa de brinquedos, Aquela que pertence ao meu enxoval. Tinha coisas tão bonitas. Havia até um berço. Quando eu não estava com vocês, não lembro de ter dormido num berço. Será que vou usar sapatinhos lindos como os de mamãe ?

         Não gosto de ficar sozinha nenhum minuto. Choro muito quando não vejo meu pai e minha mãe. Eles trabalham muito. Não posso acompanha-los no trabalho, mas eles deveriam saber que crianças são assim:-exigentes de amor, carinho e companhia. Não sou um objeto ou um brinquedo que se guarda e se tira quando dá vontade de estar com ele. Tenho anseios e necessidades apesar da pouca idade.

Já não sou mais d mamar. Mamei quando era bebezinho. Acho que sou grande agora. E por causa disto mamãe faz uma comida especial para mim. Não que eu não goste pois tenho bastante fome, mas tenho vontade as vezes de experimentar o que ela e papai estão comendo. Estão sempre repetindo que faz mal para mim. Porque eu não sei.

Certa vez eu fui até a sala depois que eles já haviam adormecido, Eles haviam chegado tarde de uma festa. Eles esqueceram um prato com doces sobre a mesa da sala e eu encontrei, Não tive dúvidas. Aproveitei a oportunidade e comi alguns doces.. Aliás vários doces. Tarde da noite senti dores na barriga. Acho que começo a entender porque não posso comer de tudo. Acabei vomitando e não fiz nenhum barulho e nem chorei Dia seguinte meus pais ficaram furiosos com minha pequena travessura.

Ouço vozes de outras crianças perto de nossa casa. Será que elas são como eu ? Será que seus pais gostam delas. Que as amam e lhes querem bem ? Não tenho ressentimentos  porque fui adotada. Minha verdadeira mãe não teria meios de olhar por mim Meu pai foi um pai omisso. Um namorado ocasional de mamãe e nem quis saber de mim quando nasci. Éramos em três. Duas irmãs e um irmão. Minha mãe não daria conta.  Há poucos dias ouvi minha mãe falando de uma filha de uma amiga dela. Sofia, parece que este era o nome da menina. Bonito nome. Um nome sonoro. Ela é adotada como eu. Gostaria de conhece-la.

Meu nome é Talita, mas as vezes minha mãe chama-me Lita. Talita é um nome lindo. Não deveria ter-me dado este nome se não queria chamar-me assim. Mas eu olho assim esmo. Adoro ouvir o som de suas vozes.

Certa vez acordei bem cedinho. Quando acordo não gosto de ficar em meu quarto. Logo saio se vejo muitas luzes acesas pela casa. Fui ao quarto da mamãe. Ela dormia com frio enrolada no cobertor. Dei-lhe um beijo carinhoso no rosto e enrolei-me no cobertor também ao lado dela. Ela acordou assustada como se eu tivesse dado um tapa nela. Aí eu me assustei e acabei fazendo xixi com o susto. Ela só faltou me bater. Não consigo ser a filha que eles querem. Eu te adoro mãe.

Acho que eles não estão suportando mais minhas traquinagens ou então devo ter feito algo de muito errado. Não creio que o tenha mesmo. Não tive a intenção de tornar complicada a vida deles e servir de ponto de discórdia. Trago-os permanentemente em meu coração e posso afirmar com certeza que não me saem da cabeça. São eles que procuro assim que acordo. Não sei o que faria sem eles.

Ontem eles discutiram muito. Falavam em espaço, tamanho, não entendi nada. Quem tem algo a ver com isto tudo ? Que pode significar tudo isto ? Adotar é um ato de amor ? Podemos substituir quem nos gostamos ?

Hoje mamãe e papai saíram de casa comigo quando ainda estava escuro. Estava meio sonolenta. Senti frio agarrada a papai. Achei que mamãe estava triste. Mamãe entrou num carro. Ela sentou-se na frente e papai me colocou no colo dela. Ele tinha algumas lágrimas nos olhos e me abraçou muito. Parecia que ele não ia me ver nunca mais.

Agora eu compreendi tudo. Já estive aqui nesta casa. Foi aqui que eu Lita nasci, mestiça de uma cadela vira-latas e um Rusky Siberiano. Meu antigo dono não podia ficar com a ninhada inteira e me deu para meus pais que ficaram comigo cinco meses. Não imaginavam que eu iria crescer tanto. Não podia ficar confinado na área de serviço daquele pequeno apartamento. Tenho a certeza de que eles não esquecerão da sua Lita. Quando lembrarem de mim seus olhos ficarão marejados de lágrimas como os meus.



 

 

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