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Os Chalés
Os Chalés

OS CHALÉS

 

Quando menino os prédios urbanos não atingiam mais do que cinco ou seis pavimentos. Chalés, entretanto eram olhados com um pronunciado desdém. Não preconceito, desdém. O motivo penso que era por serem ligados e confundidos com a pobreza.   Ninguém procurava uma moradia assim e elas iam passando por gerações e permanecendo.

Carlos era um colega da escola primária. Garoto colecionador de morcegos que colocava em vidros cheios de álcool depois de apanha-los no quintal do grande chalé de madeira onde morava. A criançada do colégio ia lá brincar e todos trocavam bolinhas de gude por morcegos e depois era o jogo de bola no quintal de terra. Havia árvores e um abacateiro no fundo.

Era um bonito chalé de cor amarela clara e bem suave. O telhado de telhas francesas montadas no clássico modelo de 45º, entretanto garotos não entendiam destas coisas e nem prestavam atenção nelas.

Certa noite em casa fomos acordados por crianças da nossa vizinhança. Morávamos a algumas quadras do chalé do Carlos. Diziam que o mesmo estava em chamas. Fomos correndo para a Avenida Ana Costa. O chalé situava-se no terreno vizinho a um grande terreno baldio onde seria mais tarde erguido o prédio da companhia municipal PRODESAN.

Carlos frente ao chalé tomado pelas chamas parecia não acreditar no que via. Foi terrível mesmo. Os pais dele um casal pobre e humilde choravam muito. Esta foi a última vez que vimos ou tivemos notícias do Carlos. Um moderno prédio foi erguido posteriormente no local, quase simultaneamente com a PRODESAN.

As epidemias de febre amarela e varíola provocaram planos e ações dos serviços sanitários em Santos a exemplo do Rio de Janeiro como a demolição dos cortiços e remoção de escarradeiras urbanas. A construção dos canais de Santos fazia parte conjunta desses planos. No começo do século 20 os trabalhadores mais pobres vindos dos cortiços não tiveram alternativas além de ocupar bairros como Marapé, Macuco e Jabaquara onde começaram a ser construído chalés. As técnicas de utilização da madeira vieram com os portugueses da Ilha da madeira. Inicialmente eles ocuparam o Morro São Bento. Isto estreitou certo conceito aproximando morros, chalés e pobreza. (1)

 Cortiços

Os edifícios públicos ou faltavam ou permaneciam casarões aleijados e sem arte; a alfândega tinha sido reconstruída mas sem vantagens arquitetônicas, o Quartel, como a Cadeia colonial, tinha desaparecido, mas a Igreja Matriz continuava no mesmo lugar, dominando o velho quarteirão infecto, a ela fronteiro, ladeado pelas ruas Setentrional e Meridional e só mais tarde demolido e substituído agora pelo jardim ali existente.

 As praias do porto continuavam desasseadas, depósitos de lixo e pasto de urubus, desembocando nelas a descoberto os ribeiros que atravessavam a cidade, desde os tempos primitivos.

Nos novos arrabaldes o impaludismo reinava, determinando mortes mais numerosas do que anteriormente sucedia e só com o correr dos tempos, tendo sido drenados os terrenos de Vila Macuco, para o mar e para a Vala Grande e os de Vila Mathias, para o Rio dos Soldados, cujo curso foi melhorado, modificaram-se as devastações da malária naqueles recentes núcleos de população, onde as ruas eram mais largas e mais bem orientadas. (Novo Milênio-A demolição dos cortiços) [ Rua Gal. Câmara em 1905 durante a demolição].

cortiços 

O chalé dos Sanseverino

Nos anos da década de 50 mudamos da Vila Belmiro para a Av. Francisco Glicério bairro do Gonzaga. Era uma vila onde hoje moram apenas duas famílias nos mais de 30 apartamentos. Dizem que vai ser demolida. Lado a lado com a vila erguia-se um grande era a proprietária do chalé. O chalé tinha dois andares e a parte inferior era de alvenaria. A parte superior toda em madeira eram os quartos muito amplos. O quintal era muito grande e no mesmo caberia outra residência. Tinha abacateiros, bananeiras e goiabeiras. Uma coisa que era de difícil adaptação eram as luzes simples lâmpadas comuns suspensas de fios com o respectivo interruptor. Tudo muito simples com uma superioridade de espaço que seus vizinhos de alvenaria não tinham. Não era realmente um chalé estilo casa de boneca e foi o primeiro chalé que conheci no interior.

Os chalés do século passado

Eram casas bastante simples, de madeira claro e as vezes com parte em alvenaria (a cozinha e o banheiro) Construídas diretamente no chão ou elevadas sobre um porão que se tornava acomodação tais como despensa, quarto de despejo, oficinas etc. O porão tinha por função preservar a casa da umidade embora fossem poucos encanamento. Havia, entretanto a proteção, pois a infestação de ratos e ratazanas era grande em Santos (2).

Foto do site Novo Milênio, de Leandro Amaral

O chalé do Benê da Sorocabana

Uma via inteira de chalés adjacentes a via férrea na Rua Gaspar: Ricardo.  Era ao lado da linha até o túnel que faz a ligação com São Vicente depois da Rua Santa Catarina. Os chalés eram moradias dos funcionários da linha ferroviária.

O pai do Benê era um funcionário e muitas vezes nos reuníamos em tempo de cursinho para estudar a noite, mas a casinha de madeira verde era extremamente quente. Não era possível suportar.

O chalé do Mané

A Rua Espírito Santos exibia um único chalé, uma mancha entre o casario do bairro onde morava o amigo Mané. Guardamos na lembrança esta casa onde costumavamos estudar  com o colega. Era uma casa bem calorenta e umtanto necessitada de manutenção.

Não que houvesse algo de especial nele, mas chamava a atenção por ser o último da rua. Será que o Mané , atualmente uma autoridade mundial em arquitetura na Ásia e América Latina ainda lembra dele?

O chalé das Olivetas

O chalé de minha tia Olívia foi de todos os que conheci o mais próximo. Os pais dela, meus sogros não conheci pessoalmente. O pai era motorneiro da CMTC-Companhia Municipal de Transportes Coletivos. Construiu o chalé tábua por tábua numa tranquila Rua do Marapé onde só existiam chalés. A Rua Stockler de Lima.

A entrada um jardim que tinha um bem ornamentado roseiral. A elevação não tinha os porões, mas não dispensava a clássica escadinha de pedra até a varanda de madeira. O canto na varanda no alto tinha a conhecida casinha iluminando um São Benedito com uma lampadinha de santo que ficava acesa toda noite. Coisas de Santos de antigamente. Os lados adjacentes e fronteiriços tinha o solo de terra e neles o seo Antônio não deixou de investir suas habilidades na natureza. Havia mamoeiros, pitangueiras, goiabeiras e uma variada quantidade de flores. Num canto junto a um muro em uma extensão de uns dois metros ele plantara sua obra prima -: uma parreira. Chegamos a provar os cachos que frutificavam todos os anos. As vezes as uvas vinham do tamanho de ervilhas o que provocava muitas risadas, mas quem se importava?

O quintal tinha um onipresente abacateiro ao lado da oficina de Seo Antônio com serras, instrumentos e tudo o mais que uma oficina tinha direito. O motorneiro tornava-se um mecânico e carpinteiro nas horas vagas.

 

 

Os Chalés hoje se encontram sob a ótica da preservação do patrimônio histórico de Santos que luta com a falta dos recursos dos seus donos e a especulação e a ganância das imobiliárias. Um tipo de construção que é única no mundo e atrai a atenção de arquitetos americanos, suiços e alemães.

(1), (2),(3): créditos – Site Novo Milênio.

 

 

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