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Quando as algas sairam d
Quando as algas sairam d

peixes

 

Quando as algas sairam d'agua.....

 Acredito no exercício de minha  transparência que desde que conheci Alfredo naquele nosso, hoje já longinquo, curso Científico,- isso mesmo científico, jurássico, navegamos por rumos que transformaram nossa vida e espírito. Conto aqui dos fatos e eventos que movimentaram nossas vidas de uma maneira que hoje não poderia entender não te-los vivenciado e adicionado na grande ampulheta da experiência.
A primeira vez que encontrei e conheci Alfredo ele estava se transferindo do curso noturno para o diurno. A figura alta de quase 2 m de altura com bem menos peso do que deveria chamava muito a atenção.Acho que impunha um certo respeito e algum recuo natural por parte até dos colegas.
A inauguração do novo prédio anexo do Colégio Canadá foi o motivo para que formassemos um grupo para entregarmos um trabalho que seria a nota de aprovação na cadeira de biologia. Não que tivesse um especial interesse no assunto, mas confesso que estar na moda atraiu a muitos. O grupo AlRASY foi um sucesso.  O nome estranho era formado pelas sílabas iniciais de nossos nomes (Alfredo, Rafael, Synésio). As algas atrairam a atenção de muitos. Entretanto a propaganda era necessária. O grupo ficava pelos corredores a gritar para que a multidão de pessoas atônitas viesse ver de perto aquelas folhas transparentes verdes e rosas que saiam das águas dos mares.
O prédio novo era um grande conjunto de salas em que sobressaia o cheiro da pintura e os ladrilhos azuis do chão. As paredes brancas sem uma marca e as janelas de vitrais de vidro martelado. As salas estavam ocupadas pela maior mostra e trabalhos escolares que já fora alguma vez reunida na cidade. Havia incidentes às vezes. Como na ocasião em que observando alguns bastões de fósforo branco que ficam imersos nágua, um deles caiu sobre um monte de iodo em pó. A reação é imediata e violenta.Produz fogo e espessas fumaças brancas.
Tarcisio Barbieri era a figura do anti-herói. O professor querido e idealizado não era um super-heroi. Um anti heroi baixinho, que largara da medicina e da realeza dos esculápios para vestir a capa do professor dedicado e sempre pronto a encampar a causa dos alunos sem perguntas. O terno azul marinho surrado e os modos agitados sempre a encampar as lutas e situações. Como daquela vez que acompanhou o Alfredo e a mim até  a Secretaria de Cultura. Acho que o objetivo era obter um patrocínio para o Clube de Historia Natural. Tarcisio abraçou nossas mais ferrenhas intenções como se fossem dele. A figura do professor que não caminhava nem a nossa frente e nem as nossas costas, mas ao nosso lado não ocorria com outros professores que embora eficientes eram mais distantes e austeros. Faltava o carisma do Barbieri.
Não há quem tenha sentado nos bancos escolares do Canadá e não tenha ouvido falar do CHN. Não, não era o ácido cianídrico nem tampouco a darteira nacional de habilitação, mas a sigla de um clube escolar-o Clube de História Natural, tão em voga, tão no gosto e tão na moda naqueles tempos nos bancos escolares de uma grande massa de alunos sem Internet, sem ou quase sem TV, sem celular e sem computador, calculadoras e outros, porém com o mais importante de tudo: uma sincera vontade de fazer as coisas, vontade esta que impregnava até os ossos.
Abraham Lincoln era o grande-herói americano. O mito americano combateu a intolerância e o racismo escravagista. Dando a própria vida no sacrifício da liberdade. O entusiasmo com que Alfredo tecia seu elogio ao herói combatente dos direitos humanos de uma raça escravizada, talvez uma admiração recolhida e incondicional pela luta aberta do Presidente americano contra os focos e manchas do racismo e da divisão de classes na America nascente. Uma America que sempre fora dividida : católicos contra protestantes, Norte contra Sul, negros contra brancos. Lincoln um homem do campo no meio da cidade  Uma luta que seduziria  um gaijin, Alfredo, que se apaixonara por uma descendente de orientais, nossa colega de Canadá.
A exposição no espaço do Baleia foi um marco regulador do ensino colegial em Santos. A nota de um colégio inteiro passa a ser a contribuição do aluno para a matéria do Prof. Tarcísio. Este foi o trato que o mesmo assumira naquele empreendimento. Assim de repente a Exposição tornara-se de uma suma importância.
Estar diante de Lydia não era estar diante de uma cronista. Era estar diante da história de Santos. A figura imponente e altiva sobressaia no centro da sala mobiliada com moveis coloniais, de um assoalho escrupulosamente limpo e lustroso. O canto da sala um armário tipo arca com portas de vidro emolduradas por madeira atulhado de livros e jornais. Na parede defronte a secretária de tampo de madeira e relevos entalhados com papéis displicentes. Poltronas estofadas antigas e confortáveis. A grande janela com vidraças corrediças era coberta com uma fina cortina de renda que deixava filtrar a luz solar no casarão colonial ali no Canal 4 próximo a praia.  Ali certamente deveria haver muita história. História de 3 ou 4 gerações habitando aquele legado também histórico, fadado a desaparecer com Lydia tombado pela especulação imobilária gananciosa..
“Algas, conchas e Caramujos” e crônicas, tantas crônicas em recortes de jornais acumulados em caixas de papelão  na era jurássica da informática..... Pensei, pensei, mas não disse, “ali em algum lugar deve estar uma crônica que foi escrita para mim”. Pensei que um dia se fosse um cronista gostaria de ser como Lydia e homenagear a Santos todos os dias.
Tarcísio Barbieri o mestre com o terno azul e o corpo agitado e franzino entrou na pequena sala para dar uma chamada naquela turma preguiçosa e alienada. O mestre entrara na sala pequena e acanhada, resultante da reforma de um banheiro para dizer que viera do novo prédio e não vira nenhum aluno do 2º Científico C lá trabalhando.
“- Professor, não há ninguem lá porque ninguem está sabendo."
A voz que contestou o mestre não podia ser outra, senão do Alfredo.
-Professor, nós vamos todos lá e cuidaremos de tudo..... O jovem dispensado da Escola Preparatória de Cadetes do Ar da FAB , depois de aprovado, motivado pela redução do seu contingente pelo então Presidente Jânio da Silva Quadros, aportara no Canadá para viver a maior aventura de sua vida. Synésio e eu também já o conhecíamos depois do ginásio completado no Colégio Santista. Acho que o Grupo de trrabalho nasceu dessa empatia, dessa amizade.
A amizade com o mestre cresceu rapidamente com um sentimento mútuo de respeito e  admmiração. A esposa dele Ana Hilda, era uma jovem simpática, também da área da educação. Lembro que viamos o casal Barbieri como um casal modelo . Sim quase um moodelo de educação e procedimento.

A repetição exaustiva sobre a germinação e o crescimento da batata inglesa gravara no Prof. o nome da leguminosa dito sorrateiramente. Batatinha.
Muita vezes chegamos a ouvir queixas e desabafos do mestre. Algumas queixas, verdadeiras acredito, com a carreira muita vezes não compensatória financeiramente. A idéia inicial do jovem de se voltar à Medicina e o seu desapontamento e revolta com os maus médicos e profissionais ambiciosos e gananciosos
O clube cresceu em conceito e popularidade. O clube tinha tudo que um clube precisava ter. Poderia até não funcionar , mas tinha de tudo. O próprio Edésio encampou a idéia do clube. Chegamos a discutir um modelo de proposta de inscrição com ele, um diretor que se permitia dar seus palpites sobre uma proposta de inscrição num clube escolar. Um diretor que era fã do teatro amador e do Clube das Normalistas. O Diretor em sua secretária no horário de aulas conversando conosco sobre um modelo de ficha considerando o assunto de suma importância...
O clube chegou a ter 200 sócios cadastrados. Pagantes já era outra história. Havia livro de atas e reuniões mensais. As reuniões eram feitas na casa do Cláudio Guillomon. Uma discussão interminável para se aprovar os estatutos do clube cuidadosamente elaborados pelo prof. Frenor de análise literária . Algumas reuniões passaram a ser feitas aos sábados. Afinal o Alfredo como Presidente era o que menos tempo dispunha durante a semana. A Diretoria do Clube que jamais chegou a ser eleita apesar de ter sido empossada foi ocupada por Alfredo como Presidente, Valter Rollemberg como Vice-Presidente, Rafael como Secretário, Maria do Carmo como Diretora Social, o Meirelles como Diretor Técnico, Tarso Jordão como Tesoureiro e Yuriko como Bibliotecária.
Durante o ano que funcionou o clube promoveu conferências interessantes como A reprodução do Ouriço do mar mostrada com uma projeção de slides de um conhecido dentista de Santos interessado na biologia marinha. ; Genética humana com o Dr.Oswaldo Frota Pessoa; A psicanálise com o Dr. Newton Freire Maia. As conferências foram efetuadas no ambiente escolar do próprio Colégio Canadá. As conferências eram uma moda, uma instituição quase promovida as vezes pelo Departamento Cultural da Tribuna.
Se alguem se movimentava para tornar estes eventos possíveis era realmente Alfredo. Seja conseguindo um projetor, arrumando uma cadeira ou pregando um prego. Assim foi até aquele agost quando foi realizado o maior e mais importante evento do clube. A Mostra de material biológico e científico a ser coletado e descrito pelos alunos. As feiras de Ciências não eram correntes e a idéia um lugar comum décadas depois era revolucionária em termos de ensino e divulgação.
Acompanhei Alfredo desde a primeira vez que foi ao prédio do Museu de Pesca, onde também trabalhava uma equipe do Instituto Oceanográfico da USP, uma instituição pouco conhecida do santista, quase no anonimato. Queriamos na verdade que um pesquisador classificasse as algas coletadas no mar de Itanhaem. Havia também ouriços e muitas anemonas. Esforçados nós eramos, mas daí a dizer que dominavamos o assunto era outra história. Tinhamos coletado muito material em Itanhaem e varios vidros repletos daquela estranha vegetação e daquelas anemonas tinham sido colocadas na garagem da casa do Synésio. O resultado comfoi devastador – o cheiro ficou insuportavel e descobrimos da pior maneira possível que não bastava jogar os bichos num vidro de alcool ou de formol.
O Noriyoshi era um diminuto nisseijaponês de olhos vivos e que parecia estar sempre de calças curtas. Olhou tão longamente os vidros de algas que achei que fossem ferver. Não sei ao certo o que ele classificou ou não, mas a verdade é que uma cara inteligente ele tinha. Olhava os vidros com algas como se fossem explodir.
-O que é que vocês fazem por aqui ? Qual o trabalho de vocês, questionou Alfredo. A pergunta foi ríspida, mas era de uma natural curiosidade daquele lugar nunca dantes imaginado.....
-Porque você não vem trabalhar aqui ? O instituto está contratando uns moleques para trabalhar aqui. Foi a resposta do Noriyoshi. Era apenas uma vaga na verdade e já haviam dez candidatos sendo o Alfredo o décimo primeiro.  Quando vi o Alfredo deixara as mochilas de vidros no chão e de pé frente a uma lousa, giz rm punho explicava a Nori um complicado problema de trigonometria. Terminada a apresentação o mais recente tarefeiro do instituto já estava exercendo sus funções. Aquele era o Alfredo, um dia, anos mais tarde chegaria ao cargo de o Diretor do instituto.  Seria o chefe do Nori, do Gelson, da Ana e de todos os outros. Acho que só não se tornaria chefe de quem morresse.....
Usar o espaço do Baleia foi um golpe de mestre e tambem de sorte. Alfredo nunca duvidou que não fossemos conseguir, mas que deu trabalho deu. A exposição não poderia mais ser realizada no Prédio Novo que agora tinha classes regulares instaladas, cantinas e agremiações como o GEVEC, o clube das Normalistas e o próprio CHN.
O Baleia era o apelido de uma grande área anexa a um condomínio na Av. Vicente de Carvalho. Estava sempre vazio. E imediatamente nos vimos inaugurando lá a I Feira de Ciências do Clube de História Natural. Encontrar o responsavel por cuidar dos interesses do dono do imóvel foi fácil.
Ricardo e eu fomos a casa do Sr. Pedalini, uma grande casa de esquina na Washington Luis. Ele nos recebeu com tranquilidade, dois rapazes com o uniformr do Canadá. A verdade é que aquele uniforme abria muitas portas. É sim, tremendamente verdadeiro. Quem envergava o uniforme do Canadá tinha enormes razões para ser um jovem esforçado, de respeito se tal tivesse um significado.  A ampla sala toda estofada de reposteiros chamava a atenção e o Sr. Pedallini ouviu tudo sem dizer uma palavra. Alguma coisa deve te-lo acertado Conectou um aparelho telefônico na tomada e imediatamente ligou para São Paulo. Saimos da casa do Sr.Pedalline com as chaves do imóvel na mão.
Nunca poderia deixar de mencionar a dedicação de tantos colegas que conosco conviveram e no meio de brincadeiras sérias e assustadas levantaram a ponta da curiosidade científica.
O Toninho era na verdade um grande Antônio, um rapaz alto que aparentemente nada levava a sério. Conhecedor de todas as Primas e Bordões de sucesso dos humorísticos modernos da TV que repetia muito bem nas ocasiões certas provocando hordas de riso nas rodinhas de meninas que se formavam a seu redor. Seu alter ego ere o colega Troiani quase um clone físico e espiritual de seu comportamento gozador.
Entretanto no trato diário com seus colegas Toninho se revelava um rapaz preocupado e extremamente responsavel nas tarefas educacionais e nas responsabilidades estudantis. Chegou-se a reunir sob sua responsabilidade um grupo de estudantes que se dedicavam a dissecação de animais, pesquisa de histologia e classificação de espécies. O laboratório de química do Prof. Antônio Demóstenos Brito era intensamente utilizado.

Celso era paranaense. Tinha vindo de Curitiba para estudar em Santos, por quais motivos não se sabia e tais coisas não se perguntava. Sabia apenas que morava com a irmã e o cunhado um gerente da sorvetes Kibon. Muito afavel  e simpático tornara-se muito amigo e compamheiro do Meirelles e meu também. Gostava  muito da idéia do clube e ajudava muito. Muito amigo das “cleides”  também.  As cleides eram duas cleides : a Amorim, uma jovem alagoana de Xació e a Castelo, uma santista. Sempre juntas, sempre amigas inseparáveis. Celso sempre com as duas. “Voces parecem namorados mexiam as garotas !” Castelo ajuda incondicionalmente o amigo copiando para ele os cadernos de “pontos escolares” em atrazo.
Celso era amigo de todos, romântico e apreciador  da bossa nova em música e letras. O loiro de olhos verdes continuava apaixonado pela antiga namorada de infância deCuritiba apesar das meninas suspirarem por uma dança com ele nos bailinhos de sábado a tarde. Era  quando ele rindo expressava o desdem pelas músicas de Ray Coniff que chamava jocosamente de chacum-chacum-pum. A bossa é que é a música dizia ao Meirelles.
A bossa estava no ar. Aleuda, Cancello, Roberto Sion, Paulino, Serginho Mateus e Balança no salão do Ed Olimpia, no Hotel Martini e na Fonte luminosa. O Celso não estava errado.

O casal Vazzoler, Gelson e Ana Emília era um casal de pesquisadores do Instituto Oceanográfico. Eram dois biologos com uma longa bagagem na área de pesquisa. Nós os consideravamos cientistas. Isto mesmo, cientistas descobrindo coisas que ninguem imaginava e ajudando a humanidade.
Alfredo trabalhava e estudava. Sua preparação era um esforço memorável e usava de todos os recursos que a imaginação fornecia. Diversas ocasiões acompanhava sua audiência em gravações que ele mesmo fazia sobre genética humana inspirado naquela apresentação do ouriço, num velho gravador de fita de rolo.
O casal Vazzoler apoiava estes  estudos e muita vezes Dªa Ana ensinou a estrutura de vertebrados e os princípios da Botânica ao jovem Alfredo. Pranchas cuidadosamente desenhadas substituiam varias aulas de cursinho. Creio que não fazia o gosto de outras pessoas. Uma  jovem nissei desde a muito tempo preparava-se para viver uma história de dedicação e sentimento.  Emprego, trabalho, universidade , casamento, sim tudo se iniciava junto.
A Exposição foi realmente um sucesso daqueles. A riqueza de detalhes pensada e realizada muita vezes sucitava dúvidas de como pudera ser lembrada ou realizada por apenas um bando de estudantes.
A inauguração contou com a apresentação na praia da Fanfarra  do colégio. Uma grande multidão parou literalmente o trânsito e lotou a Av. Vicente de Carvalho em frente ao Baleia. O som dos metais cessou e o grupo de meninas do Canto Oorfeônico de Yolanda Arruda cantou varias músicas em homenagem ao evento. O Jornal A Tribuna acompanhava o Diretor Edésio Del Santoro visivelmente emocionado que esquecendo discursos preparados agitava os braços conclamando todos para adentrarem o prédio.
O Grupo de Escoteiros do Mar perfilado sob todas as bandeiras liderado pelo Bryk batia inauguraçãopalmas enquanto entravamos pelos corredores ao lado de Tarcísio. Foi realmente uma noite para não ser esquecida. Chamava a atenção a flâmula da exposição com motivos marinhos desenhada pela Emília e aquela mesa com o microcópio a ser rifado, uma idéia do Toninho que entre ouras coisas dissecava um ouriço do mar por noite. Aquele grupo de bata branca provocava espanto nos grupos de estudantes das escolas que agendavam horários especiais para conhecer aquela esposição.
Tasso Henrique era um Prof. de química que gerenciava um laboratório da Alfândega. Um velho amigo de Lydia que a convidou a conhecer a exposição. Chegando ao Baleia encontrei baleiaTasso e Lydia defronte ao prédio. Dificel explicar o que aquela figura passava. Algo de solene, uma reminiscência dos anos 20 na voz grave, nas mãos sem adereços  e num maço de cigarros Luis XV emtre os dedos....”Deixe-me fumar Tasso, ainda não fumei depois de jantar....”
“Lydia, este é aquele aluno que levou o nome do Colégio ao Instituto Brasileiro de Educação e Ciências lembra ?”
“Claro que lembro Tasso...e você meu caro, aceite meus sinceros parabéns”

 Conchas, Algas e Caramujos (1962)                   

 Em exposição (1963)

 O clube terminaria naquele ano, Alfredo conseguiria sua vaga na Universidade e deixamos de encontrar tantos colegas que tornaram aquele evento possível. O último evento realizado foi uma visita de um grupo a Cidade Universitária onde estivemos com alguns biólogos no Instituto Biológico da USP. Foram M.L.Beçak e Renato Basile. O Clube não tornaria mais a reunir-se.
Fui com o Meirelles ao Laboratório fotográfico da Alfândega. Uma sala enorme com janelas amplas de vidros  corretamente vermelhos e vastos ampliadores. O próprio Tasso nos facilitou a entrada e o uso. Já conhecia um laboratório fotográfico, mas nunca havia visto um como aquele. Uma sala enorma tão repleta de coisas que devia conter coisas ali depositadas sabe-se lá quando e provavelmente esquecidas pelo tempo. Instrumentos abandonados e que aparentevam nunca terem sido usados. Tres ampliadores altos, coisa de dois metros de altura na vertical. Ainda muitas caixas, várias caixas de papel fotográfico e filmes de raio-X. Perguntei ao funcionário que mostrava o local, movido por uma natural curiosidade de estudante “Qual a utilidade, o uso desse laboratório aqui ?” O funcionário respondeu sarcásticamente. “A principal utilidade deste laboratório é o divertimento do chefe”, tudo dito entre grandes risadas.

Alguem pode ser católica e se apaixonar por  um comunista ao mesmo tempo ?A Edneia fez a pergunta num estado de inocência tão grande que nos sentimos surpresos. O comunista era Fred  que na efervescência  do início da ditadura fazia pesadas críticas aos políticos, votava no Corvo, apoiava as greves e o movimento estudanil. Lembrava bem da Edneia ao comentar dele em tom quase inaudivel  “Gente, os colegas perguntam para ele na porta da classe-e então Fred, vamos ou não vamos entrar ?” A morena de olhos azuis,  dentes tortos e esplendoroso semblante helênico não quebrava só o coração do agitador.

O Foster nunca tirava aquele paletó de micro quadradinhos coloridos. Algubs diziam que era furta-cor. Entretanto o rapazz tinha o seu charme, com a voz por vezes incomprenssivel, inaudivel e ininteligivel. Combinava com o jeito blasé do pianista despretencioso pelo qual as jovens suspiravam ouvindo românticas músicas italianas. Sábados a noite aconteciam algumas vezes uma reunião na casa do Foster.  Os casais rodopiavam na pista de dança do jardim na casa da Bento de Abreu e do terraço chegava o som melodioso do piano e nunca faltava quem perguntasse o nome do LP que estava tocndo. Foi numa dessas ocasiões que ouvi dele "é, sempre gostei de Ednéia...várias vezes quiz namorar com ela..."

O equipamento impressionava até um técnico. Centenas de tubos e cotovelos interligados a garrafas por onde borbulhava água e ovos faziam os laboratórios de um citologista parecer pouco menos do que ridículo. Provocava risos e até gargalhadas contidas como naquela visita do colega Heitor que não conseguiu conter o espanto. "Uma parafernália destas só para contar ovos de peixe ?"
 Acho que o fascínio pelo novo e a natural tendência a vislumbrar o futuro e as consequencias nos brindaram com uma aproximação na informática. Não não acontecia ainda a revolução digital da auto-estrada da informação.

 A informatica seguiu um caminho desacelerado e sem força e como em quase todas as instituições na época sempre voltada ao mercado terciário. As instituições educacionais consideravam um universitário que programava no FORTRAN o ápice do conhecimento e do preparo necessário para ser utilizado nos cursos de graduaçao. O equipamento de computação para dar uma idéia levou anos para caminhar de um modesto IBM-1620 que processava a cartão IBM até um IBM-/360 também a cartão, embora até usasse discos rígidoas. Os grandes computadores e as grandes redes, o grande porte era um privilégio das instituições bancárias que utilizavam uma linguagem universal, própria e misteriosa chamada COBOL. Alfredo ? Alfredo era encontrado quase sempre carregando caixas repletas de cartões de computador e grandes sacolas de listagens, nos caminhos da cidade universitária às vezes até de madrugada. O meio científico pesquisava e calculava entre calculadoras Texas, HP e até maquinas mecânicas de calcular. Tudo em meio às leis restritivas e ditatoriais da poderosa  Secretaria Especial de Informática. Vida dificel a de estudante e pesquisador.

 Alfredo seguiu os estudos e não deixamos de nos encontrar por algumas vezes durante nosso longo caminho percorrido Não deixaremos de lembrar o que construimos em muitas ocasiões e no bom exemplo que soubemos deixar naquilo que tivemos ocasião de fazer. Sempre lembraremos que tudo passou por um Clube estudantil e pela confiança de um professor dedicado.
 

 

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Você está ouvindo Tema de Rota 66, única música disponível para tocar durante a exposição de 63

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