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Reencontrando alguns fragmentos
Reencontrando alguns fragmentos

 

                                             

 Quando meu filho me disse que na rádio seria feita uma entrevista com Cascione vestígios e fragmentos de anos cuidadosamente caros e guardados foram retirados de suas prateleiras. Meus olhos reviram aquela multidão de rapazes igualada pelas calças de brim  cinza e pela malha igualmente cinza estampada com o “M” estilizado dos maristas. M de Maria, M de Mãe, M de Maristas.  A jaqueta  era igualmente cinza, que era substituída desafiadoramente na rua por blusões de cores berrantes e gola rolê no estilo James Dean combinado com uma “chewing gum” ou um Marlboro americanos é claro, devidamente adquiridos nas lojas da Rua Marcílio Dias.

Inseridos na multidão, rostos de meninos e rapazes pelejavam um lugar para ver um rápido e disputado jogo de bola de capão no campinho ou no campão como nós  havíamos apelidado os campos de futebol da área do Colégio Santista. Alguns “irmãos” com suas batinas pretas e colarinho branco também jogavam. Admirava-me vendo-os conseguir esconder a bola dentro de suas batinas com movimentos rápidos e precisos.

Lembro do irmão Ari, o irmão motorista do ônibus que pegava os alunos pela cidade e que jocosamente era chamado de charanga. e do irmão Honorato vendendo os livros da editora FTD que compunham a lista de material.  Graças ao Honorato adquiri um gosto e admiração pelo Latim que nunca abandonaria. O irmão Geraldo era o irmão fotógrafo. Durante qualquer desfile ou qualquer jogo era impossível não encontra-lo com uma reflex em ação. Aprendi o básico de fotografia com ele, pois poder captar o momento e deixa-lo eternizado num pedaço de papel se constituía para mim numa tarefa admirável que adicionei ao meu espirito de fotógrafo amador.

Na imensa cantina o cachorro quente devorado como um manjar dos deuses fervido em imensas panelas e os sorvetes redondos de groselha feitos ali mesmo eram adquiridos por menos que uma passagem de bonde. A cantina que não consigo imaginar vendendo outras coisa que não cachorro-quente ou picolés de groselha ficava em frente a um pátio sob o prédio novo.

É verdade, havia o prédio velho com dois andares e varias salas de aula todas com saída para o Campão. O prédio velho abrigava no térreo o temível gabinete do  irmão Reitor, cujo pescoço muito fino e vermelho granjeara-lhe o apelido de peru. Moleques não dão moleza. Na sala ao lado estava o protetor de todos – o Roque. Um dia qualquer, não faz muito tempo, ele deu uma entrevista para  “A Tribuna”  quando se falou  do Paquete. Li o quanto ele adorava a todos nós e o quanto se sentia agradecido pelo nosso carinho.

No segundo andar, que era um local onde subíamos em raras ocasiões assistíamos as aulas do irmão Mateus respeitado por seu conhecimento e seriedade em uma sala azulejada repleta de frascos de vidros e onde montei um motorzinho elétrico a pilha. Creio que ele foi meu Rosebud, pois o encontrei um dia amassado no fundo de uma gaveta. O irmão Mateus sempre nos fazia esquecer que o Colaço havia tocado o sinal.

Em frente ao Campão um pátio com uma sucessão de urinóis expostos aos olhos de todos seja na intimidade de nossos dias de aulas ou de nossas festas congraçando os familiares. É estranho pensar que fosse assim talvez inserido na inocência de nossa meninice. Nunca pensei nisto enquanto estive lá. Ao lado dos urinóis em um porão acanhado e mal iluminado estava a sede do Grêmio São Luiz. Conhecido em Santos e no Estado teve seus dias de glória.

Mas o pátio sob o prédio novo também ficava em frente ao Campão. Ali os rapazes ensaiavam os primeiros passos de dança com as meninas do Liceu, nas quermesses das festas juninas. O som era de um velho toca-discos que tocava com chiados os LP`s de Neil Sedaka e Paul Anka.

Como num filme antigo as cenas se sucedem com o Adilson, Ariovaldo, Fazzole, Ned, Baeta, Amorim, Egberto, Nelson Toledo e Nelson Alves Gonçalves dançando na pista improvisada.

No segundo andar do prédio Novo na sala da Congregação Mariana em acirrados debates Bento, Francisco Hugo, Jair Requião, Synésio  e Cascione decidiam em polêmicas intermináveis o destino da civilização. Deveriamos ou não adotar o divorcio, ter relações diplomáticas com a URSS, aceitar a Lei das Diretrizes e Bases da Educação do Governo Goulart

O inicio tinha a palavra do Pe. Paulo Horneaux de Moura, um homem que falava do nosso cotidiano com nossa visão e nossas palavras e acompanhava nossos desejo e nossas aspirações por mudanças. “Vocês, que como jovens constituem uma força moral na sociedade, não podem deixar de lutar para implantar os seus princípios e os seus postulados.”

Cascione estava lá. Polemico, combativo, mas não me custa dize-lo sem se afastar um milímetro que fosse de suas convicções. “A verdade, ora a verdade dura toda uma vida e não 24, 48 ou 36 horas.”  E eu também. Em algum fragmento ou vestígio de todos aqueles momentos que hoje não lembramos. Ainda bem pois se não lembramos, então e porque não estávamos la fazendo parte de algum fragmento de nossa vida. Valeu Cascione...

 

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