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Santistidade
Santistidade

Basta a gente querer achar uma coisa para que ela desapareça. É sempre assim. Parece que há um saci encarregado de escondê-la. (Monteiro Lobato)

 

A sntistidade é um atributo qq que caracteriza uma coisa. Pode ser uma coisa pequena ou grande, real ou virtual, tangível ou intangível, mas de alguma maneira que muitas vezes não é fácil de explicar ou mesmo não tem explicação evoca lembranças, cores, cheiros e ruídos daquela ilha que um dia nos viu vir à luz e que desde aquela ocasião carregamos em nosso coração. Convivemos em Santos com a santistidade e durante muito tempo não me apercebi dela apesar de sua existência presente todo o tempo. Permitam-me então usar este termo que acho até bonito para denominar este reconhecimento das coisas de minha terra.

O Almeida está a 70 anos na esquina da Rangel Pestana com a Av. Ana Costa com a entrada defronte para o Grupo Escolar Dr.Cesário Bastos. A quem diga que é mais tempo e que ele teria se estabelecido em 1914. As mesas cobertas por toalhas e os garçons de branco mantêm uma antiga tradição. Nas paredes pode-se ver reproduções de Santos antiga. Tomar uma sopa de cebola de madrugada ou uma imbatível feijoada aos sábados é um hábito de muitos santistas que vão ao Almeida, o restaurante que nunca fecha.

O Caeioca é um bar e restaurante popular. Nele se toma o café da manhã, se almoça, faz-se lanches a tarde e quiçá se janta. É tudo ali na Praça Mauá defronte ao prédio dos correios e também da Prefeitura Municipal. Os seus balcões conheceram vereadores, deputados e prefeitos de vários partidos e épocas. Acordos e desacordos, propostas e contrapropostas foram feitas em seus balcões e suas mesas onde sempre se saboreava o inimitável pastelzinho do Carioca. Muita gente ia lá apenas para saborear os pasteizinhos e era fisgada nas conversas. Um patrimònio Santista, o pastel do Carioca. Um pastel inesquecível.

Ponto marcante do Gonzaga o Café do Atlântico era simplesmente o Café. Situado em um lugar previlegiado, ao lado da livraria e antes do bar Atlântico e suas mesinhas no passeio. Uma cafeteria que quase só vendia café, o café fumegante servido em xícaras pequenas de porcelana com o emblema e a inscrição do Café Atlântico, a partida e a chegada da caminhada pela orla marítima. O ambiente de vapor quente e umido, as paredes recobertas de ladrilhos com gravuras relativas ao cultivo do café em uma cor sépia compunham o ambiente desta santistidade por onde passavam populares e figuras da sociedade santista para democraticamente tomar um café de coador. Tomava-se o café em pé no balcão em forma de ferradura observando quadros de classificação de grãos dispostos nas paredes.

O café Âtlantico estava no meio do passeio da calçada interna que seguia junto à calçada de pedestres até a praia. A enorme calçada totalmente tomada por mesinhas era o ponto fervilhante de santistas e turistas que sentados prolongavam por horas sua permanência naquele ponto de onde se observava a imponência do Parque Balneário com as suas escadarias de mármore e o jardim de inverno onde eram realizadas as matinês dançantes das noites de verão aos sábados. Tudo para quem tivesse a paciência de esperar por uma mesa na mais concorrida calçada do Gonzaga.

A Liliana é uma das cantinas mais antigas de Santos. Tipicamente familiar caiu no gosto do santista, aquele que sai com a família no sábado e no domingo para fazer o almoço fora. Aniversários e comemorações familiares são feitos alí e mesmo nós guardamos a lembrança de nossa família reunindo-se para comemorar os 80 anos de minha mãe. A Liliana é uma tradição que se mantém em Santos.

A Zi Tereza  é uma pizzaria antiga que resistiu no tempo e no local além do cuidado em servir. Devido à redução da cinelândia o público diminui um pouco durante a semana, mas a tradição de pos-filme continua para mim e para muitos que lá vão desde as sessões do Clube de cinema no Roxy.

Escondido bem no meio da R Espírito Santo sem muitas indicações externas está o praiano uma tradição de seis décadas. Cícero Inocêncio, um paraíbano começou o seu negócio como uma padaria. O biscoito de polvilho acabou se tornando um símbolo do Praiamo que se transformou em doceria. Alcançando toda a baixada santista por vendedores que vinham e vem até hoje buscar o biscoito no Praiano o biscoito de polvilho é um ícone de Santos ao lado da famosa queijadinha. Doces vieram depois.

A apresentação era muito bem cuidada. Uma caixa retangular de madeira com tampo de vidro com dimensões de 30 por 40 cm aproximadamente. A massa tinha uma consistência mole como se fora uma cocada e o vendedor tinha que corta-la com uma espátula e os bocados eram colocados em papéis e passados a mãos dos garotos que estendiam moedas e notas. Este era o quebra-queixo, tão disputado como balas de coco. O centro da cidade cheirava a balas de coco. Nunca deixei de identificar o cheiro das balas de còco com o centro da cidade onde elas eram vendidas em frente às Lojas Americanas e a Drogasil.

O chopp faz parte da vida santista. Difícil encontrar quem não goste do chopp. Mesmo que não goste de cerveja. Existem locais na noite santista que se tornaram conhecidos e procurados pelo chopp. Falo deles como locais que fizeram parte de minhas andanças e caminhadas. Sei é claro que há muitos locais, mas preferência é preferência.

O Nicanor começou ali na R. Amador Bueno freqüentado por circunspectos advogados e pessoal do comercio santista. Era uma casa para bebedores de chopp e discussões de negócios. 

O Heinz com o toque da cozinha alemã atrás do Clube XV em sua Segunda sede era um ponto de reunião acadêmica.  Muitos surgiram em outros pontos e atraíram os estudantes para que neles efetuassem importantes decisões em torno de suas canecas de chopp. O Heinz, entretanto sempre foi tradicional. Mesas com toalhas, nada de mesas de plástico, garçons com avental e sem o detestável barulho ininterrupto de música acima da conversa.

O Bar São Paulo na esquina do Canal 3 com a praia era o meu chopp de praia favorito. Ali se tomava o chopp como ele deve ser tomado. Sentado, de preferência olhando para a praia. O oposto do Heinz, mas quem tomava o chopp no Bar São Paulo Não se perdia em discussões acadêmicas e sim em santistidades com toques de carioquice. Isto é claro antes do Bar São Paulo virar point.

A Sereia onde sentados fronte ao mar podíamos  comer mariscos, ostras e outros frutos do mar exibia um cartaz no prédio cuja arquitetura não mudou até hoje: “A Sereia – Cabinas para banho”. Lembro-me deste cartaz quando era menino. Creio que os turistas trocavam de roupa nessas cabinas para usufruir o banho de mar.

Há uma sorveteria Itanhaem perto de você. Cuidado, porém, elas não são as mesmas. Acho que Itanhaem deve ser algum nome mágico que emprestou o ar exótico a minha sorveteria predileta. Antes de se render ao por quilo os sorvetes eram uma seleção de meia centena de opções. Junto à sorveteria sentava-se a mesa numa noite de verão saboreado o exótico sabor do málaga ou quem sabe da jaca. Jaca trazida das escadarias do Morro de São Bento. Quem sabe ainda de pitanga, abacate ou carambola de algum quintal perdido em um chalé do Marapé.

O ingá (Inga edulis) é uma fava amarela que contém sementes com arilo branco e adocicado. Costuma apresentar floração mais de uma vez por ano, porém a mais forte é entre Setembro e Outubro. Em Santos eles se localizam, os ingazeiros, ao longo dos canais, em especial os canais 4 e 2.  Às vezes meus pais costumavam pedir aos garotos na rua que subissem nas árvores para colher os cachos de favas e depois davam algumas moedas para eles. Depois eu mesmo passei a colher as favas. Percorrendo a região do canal 4 e do canal 1, muitas vezes carregando peneiras para colher os ingás quando os galhos eram sacudidos. O ingá é uma preferência santista. Quem provou não esquece.

Como também não se esquece a torta de banana do lanches Sevilha e os doces irresistíveis da Viena, tudo na centenária e majestosa Av. Ana Costa, a avenida das palmeiras imperiais e a mais santista das avenidas.

Estas são coisas e acontecimentos que constituem os pedaços vivos de nossa ilha  São  nossa santa santistidade.

 

 

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