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Santos, pão e companhia
Santos, pão e companhia

 Santos, pão e companhia

Santos  é a única pelo que sei que chama o pãozinho que não é francês também de média. Talvez alguma outra cidade da baixada. Desde que me entendo por gente pãozinho para mim é média e sempre vai ser. Da mesma forma que a bisnaga ou o pão de leite sempre será o pão de cará. Que fique bem claro não tem cará nenhum.

Durante a infância não lembro das padarias. A panificação como industria só se iniciou anos mais tarde. É certo, sim que havia padarias, não como as existentes nos dias atuais e na profusão em que existem, uma e às vezes mais do que uma em cada bairro.

Lembro bem da Padaria Suissa onde muitas vezes entrei com meu pai na rua Amador Bueno e dos balcões de madeira com os pães e doces dispostos nas prateleiras, que podíamos ver através do vidro. Havia a padaria São João no mesmo local onde se encontra hoje. Os produtos, entretanto eram quase que restritos aos pães. Não havia a fusão padaria, quitanda, leiteria e mini-mercado.

Como muitas outras coisas a exemplo da coalhada, pois o leite sobrava, dos bolos e pizzas, pães caseiros eram muitas vezes feitos em casa. Os pães de padaria eram geralmente filões. O pão francês ou a média ia mais para restaurantes. A rabanada era um produto comum nas casas assim como o conhecido pudim de pão.

Fui apresentado ao sanduíche com 10 anos de vida. Escapei, portanto do consumo exagerado de gorduras e lipídios na infância o que é praticamente impossível hoje em dia. O motivo foi muito simples. O sanduíche não era um hábito corrente e difundido como no agito dos dias que vivemos agora.

Lembro de meu pai desembrulhando um prato de papelão com algumas médias recheadas de presunto e queijo derretido que ele chamava de baurus trazidos da confeitaria Yara da Pça. Independência. Achei coisa de extraterrestres, pois nunca havia visto ou provado alguma coisa assim. Como os hambúrgueres e hot-dogs do Six da mesma praça e da mesma época.

Já outros tipos de pães como o pão de queijo e o pão italiano só tomei conhecimento já depois de adulto. Não eram opções comuns ao alcance de todos como acontece agora e viraram produtos de exportação como o "belo" nos Estados Unidos.

Outras padarias foram me acompanhando e fizeram até parte de um modo de vida como a Seleta no Boqueirão e depois novamente a Suíça agora no Campo Grande. Na encruzilhada a Camões foi ponto de intermináveis conversas com um pianista amigo meu que me garantiu estar ali a melhor média de Santos. A muito antiga Independência no Marapé com o conhecido pudim de pão.

A Seara é uma das mais antigas padarias. Tornou-se com o passar do tempo uma verdadeira indústria de panificação e um quase supermercado. Para sorte de seus fregueses habituais é claro. O frango com farofa que pode ser comprado a qualquer hora do dia ou da noite é muito conhecido. O que talvez seja pouco conhecido ou somente conhecido no bairro onde estou a muitos anos e nos bairros próximos é aquele simpático triciclo. Passa pontualmente às 5 horas da tarde com sua chegada anunciada naquela buzina em forma de pêra que está na frente do carrinho. Várias senhoras, alguns senhores e crianças descem dos seus apartamentos para comprar médias, pães doces e carás. É algo tipicamente santista.

Enquanto ouço a buzina, penso em outro carrinhos de pão. Um carrinho de pão de minha infância, quando muita vezes o pão era vendido mesmo nos carrinhos. O homem do triciclo também passava e buzinava O gato, companheiro que me adotara menino acordava lépido ao som da buzina e corria aos saltos para a calçada. Aprendera que um bolo de milho, sua predileta iguaria estava naquele carrinho verde e que certamente nos o traríamos para ele devora-lo sofregamente.

O pão caseiro, uma forma de média mais barata, porém com menos fermento foi uma fase que algumas padarias produziram. Bastante parecido com um pão de fécula era mais barato que a média e até mantinha a consistência mais tempo.

Nas festas de final de ano esperávamos pelo panetone. A princípio as padarias o faziam sempre nesta época e aguardávamos ansiosamente que dezembro chegasse com seus panetones.

Uma arte, um gosto, uma tradição de algumas coisas que acompanharam a infância de muita gente e que embalaram muitos sonhos e desejos. Sonhos deliciosos como os que vinham da padaria. Recheados de creme e goiabada. E também enormes suspiros brancos e cheirando a limão. Sonhos da infância santista.

 

 

 

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