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Um piano ao cair da tarde
Um piano ao cair da tarde

(... a conspiração que se arma todos os dias ao crepúsculo quando as ondas radiofônicas fazem emergir dos velhos vinis o som suave que chega aos nossos ouvidos por entre as teclas brancas do piano ao cair da tarde...)

 

Sempre quis escrever uma crônica que não terminasse. Apenas fosse interrompida de repente. Creio que são as memórias das mil e uma noites que li quando menino. Ali aprendi que encontros nunca terminam, só começam. Desculpem a ousadia.

Quem não gostaria de ter a recordação do primeiro encontro com aquela por quem se apaixonou oferecendo-lhe sua bebida predileta e um piano ao cair da tarde?  Eu a guardei junto com cada som inesquecível do piano de Burt Baccharat. Creio que não poderia ter encontrado algo mais perfeito. Uma coleção de discos de vinil com as músicas que com certeza foram compostas para anunciar a noite e se misturarem a borbulhas de champagne enquanto o som do piano horizontal de Burt faz a sua parte.

Através do translúcido Manhatan onde as pedrinhas de gelo se chocavam na borda do copo alto podia distinguir as luzes azuis do indicador de sintonia do toca-disco e sentir os acordes suaves modulados pela voz de Dione.

Algumas coisas nos fazem entrar num túnel do tempo sem perceber que não podem ser deslocadas daquele momento e sem dúvida serem repetidas, pois são únicas, intocadas e intangíveis.

A luz está sempre reduzida a metade. Acho que luz não favorece o sonho e a sombra favorece a conspiração que se arma todos os dias ao crepúsculo quando as ondas radiofônicas fazem emergir dos velhos vinis o som suave que chega aos nossos ouvidos por entre as teclas brancas do piano ao cair da tarde.

Não consigo lembrar de uma vez em que não tenha ouvido a imortal canção de Jimmy Doyle ao avistar as luzes azuis da cabeceira do JFK.  Manhatan e suas luzes piscantes e coloridas guardam uma relação de intimidade para com os viajantes anônimos em suas poltronas. Olhar pelas janelas ovais este espetáculo único faz-me lembrar seu caminhar no encontro que tivemos há tantos anos e que levo preso ao pulso como se fora um bracelete.

As luzes difusas de dois abajures iluminavam uma cantoneira depositária de fotos antigas em que teu rosto de criança pequena sorrindo entre pais, irmãos, tios, primas e avós em molduras ovais.

Reclinei-me mais no sofá verde-claro e deixei que os acordes de Alphie me conduzissem a uma imaginária dança flutuante onde teu rosto dançasse sozinho a minha frente guiando nosso entrelace por entre os acordes das teclas nos guiando em sua voz de melodia. Se não houvesse um encontro assim teria que imaginá-lo.

Sempre existirão magias nestes momentos que farão David Coperfield parecer um simples amador. Nós não precisamos de truques para levitar ou criar estrelas.  O amor consegue isto com a magia dos sonhos.

Sempre haverá você sentada ao meu lado e este momento homenageará a  tarde marcando-a de modo indelével com tuas palavras ditas de um modo que só se diz num encontro e num fim de tarde que invadirá a janela por trás de nós no início desta jornada feita por nós.

Gosto de ouvir I left my heart e fechar os olhos. Posso imaginar que é o último andar do Waldorf em São Francisco. Se sentir algum tremor agora não será um terremoto nem a falha de Saint Andres. É apenas o coração a bater mais forte acompanhando este encontro. É mágica !

Posso identificar-me com os letreiros do relógio do Itaú no crepúsculo sobre o Conjunto Nacional dominando os dois quilômetros da Av. Paulista enquanto o piano toca Sampa. Podem ser as colunas iluminadas do Harrods ao lado da estação da Ponte do Cavaleiro. Não importa. O encontro é o que há de mais importante no piano ao cair da tarde e por isto é que paramos tudo para ouvi-lo. Para que nos traga você com ele.

Sempre sentaremos em duas confortáveis poltronas e nos encontraremos diante de uma tela de sonhos que estará cantando Somewhere in time ou talvez The Competion e nossa música estará sendo tocada. Talvez seja Rachmaninoff e teremos o encontro que ...........

 


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