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O intrépiodo Capitão Tony
O intrépiodo Capitão Tony

 

 O  INTRÉPIDO CAPITÃO TONY

 

 

 

 

Não cheguei sequer a pensar no Capitão Tony como um herói ou mesmo um personagem de meus relatos. Sei hoje entretanto que o Capitão Tony fazia parte do meu imaginário de garoto tanto quanto meus personagens de quadrinhos.

 

Não sei dizer porque todos os mocinhos tinham o título de “Capitão”, talvez uma velha herança da cavalaria do velho oeste americanos antes deles se tornarem vilões ou dos Capitães revolucionários e libertadores da América Latina e até um certo Capitão Rodrigo da saga de Érico Veríssimo. Sempre haveria o Capitão Marvel, América, Sete entretanto o Capitão Tony era real.

 

Quando o inverno chegava trazendo o tempo de fogueiras e balões a praia se transformava. Era o momento de se erguer nas areias da praia a cidade Junina.  Uma quantidade imensa de barracas de madeira ocupadas por organizações ecleticamente beneficentes espalhavam-se pelo espaço da areia democraticamente oferecendo suas especialidades culinárias cujo resultado revertia em beneficio dos necessitados santistas. Lembro a participação da Gota de Leite, do Prato de Sopa Monsenhor Moreira e do grupo de Maristas do Colégio Santista.

 

As festas juninas e o tempo das festas juninas eram ansiosamente aguardados em Santos e eram também  festas familiares e muitos frequentavam o local em roupas típicas as calças de brim , os lenços de pescoço e os chapéus de palha. .

 

Revejo-me pequeno ainda a circular entre as barracas ouvindo a música a jorrar dos inúmeros alto falantes. Musica? Sim, a música vinha de um grande palco armado na areia além da vintena de barracas beneficentes. Ouvia-se pelos alto falantes canções no melhor estilo sertanejo e as mensagens com que as pessoas dedicavam as músicas umas as outras. O  palco trazia conjuntos e bandas conhecidas do público como o The Jordans, o The Jet Blacks e cantores da região como Mingo. Eram as canções de Neil Sedaka e Paul Anka que embalavam os casais de namorados junto ao palco.  Assistíamos por vezes a apresentação desses programas animados por artistas da TV Tupi como Lolita e Ayrton Rodrigues. Uma animada quadrilha marcando a festa junina ocupava as vezes o palco.

  (Foto de Joaquim Dias Herrera, fotografo de "A Tribuna")

Caminhávamos depois entre as barracas das entidades caritativas  ostentando os cabelos brilhantinados. .lembro bem qua nas barracas os frequentadores eram servidos por senhoras da sociedade santista.

Uma charge do inesquecível cartunista Dino do Suplemento Dominical de A Tribuna chamou-me a atenção certa vez, mostrando duas situações: um casal em casa sendo servido por uma servente de uniforme e a mesma servente sendo servida a noite pela patroa em uma barraca. A charge dizia da situação De dia...e depois De noite.. 

O parque de diversões com perto de quinze brinquedos era o ponto de atração e convergência de todos os públicos e tinha de tudo para agradar: rodas gigante, carrossel, autopista, bicho da seda, trem fantasma, chicote, rotor com a força centrífuga, a monga - uma mulher macaco e  a muralha da morte, um circuito cilíndrico onde podíamos ver todas as noites o Capitão Tony pilotando uma moto e um carro tipo baratinha de corrida.

Tony era um tipo moreno, nervoso e esguio dentro de roupas de couro que ninguém usava. Quando na entrada da muralha da morte encarava a multidão em cima de uma plataforma de madeira onde encaixava a moto e fazia acrobacias de pés e mãos sobre o selim da moto roncando o escapamento enquanto um auxiliar anunciava no megafone as incríveis proezas de Tony. A plateia boquiaberta aplaudia.

Os garotos aplaudiam aquele herói de carne e osso. Cheguei a ver mais de uma vez o Capitão. Acho que todos os garotos secretamente queriam ser um Capitão Tony. Quem não queria? O intrépido Capitão Tony era nosso super-heroi.

 

 

 

 

 

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